Amílcar Gonçalves garante que já há condições para a CMF avançar com a requalificação do Largo da Fonte: “Gostaríamos de conhecer esse plano”, diz

Fotos: Rui Marote

O secretário regional do Equipamento e Infraestruturas, Amílcar Gonçalves, visitou hoje, na companhia de outras entidades, como a presidente da Junta de Freguesia do Monte, as obras no interior da canalização do Ribeiro de Nossa Senhora, que passa sob o Largo da Fonte. Recorde-se que havia a intenção, por parte do Governo Regional, de intervir naquele canal de escoamento de água a partir de cima, do próprio Largo, para evitar possível “colapso de estruturas” aquando de grandes eventos pluviais, que podem arrastar terra e pedras. A degradação da estrutura física da secção de vazão do ribeiro por baixo do Largo foi recentemente invocada pela Câmara Municipal do Funchal, em declarações a um matutino regional, para o facto de não se ter ainda avançado com o projecto de requalificação do Largo, do arquitecto paisagista João Gomes da Silva.

A edilidade disse recentemente ao DN-Madeira que já foram feitos estudos, mas que aguarda desde Setembro do ano passado que a Secretaria Regional dos Equipamentos e Infraestruturas  realize as necessárias intervenções de reforço da secção de vazão do supracitado ribeiro situado por baixo do Largo da Fonte.

Hoje, o governante foi ao local constatar o que já foi feito. “Há algum tempo atrás, fomos surpreendidos com a questão de que [o assunto] estava do nosso lado. Não conseguimos perceber muito bem, porque, para já, nem sequer sabíamos bem o que a Câmara queria fazer ou não. Nós estávamos, efectivamente, preocupados com a situação do ribeiro, pois havia alguma fragilidade na laje de cobertura do canal”, declarou Amílcar Gonçalves ao Funchal Notícias. O secretário admite: “Demorámos algum tempo para encontrar uma solução ideal, para estudar tecnicamente a forma de fazer este reforço, nas lajetas que cobrem o tecto do canal, das quais algumas estavam deficitárias e partidas. Havia vários modos, e tínhamos de escolher um que fosse muito racional, económico e exequível”. Depois de estudar o problema, as instâncias governamentais alegam que o ideal era simplesmente o escoramento das pedras. O FN esteve no local e verificou que o tecto da galeria onde corre o ribeiro foi reforçado com escoras de metal e, num local, de madeira.

“O escoramento das pedras foi a solução ideal. Tivemos, de alguma forma, de fazer o levantamento para saber exactamente qual era o vão e os perfis a colocar para termos a segurança máxima. Isso foi feito, estamos a acabar de fazer esse reforço estrutural e a partir de agora o ribeiro passou a ter uma segurança acrescida”, garante Amílcar Gonçalves.

O secretário com a pasta do Equipamento e Infraestruturas não vê, pois, necessidade de se continuarem a manter as guardas que impossibilitam a passagem do público a certas zonas do Largo, “num círculo que ninguém sabe bem o que é”.

“O Governo Regional está a fazer aquilo que acha que deve fazer”, afiançou. “Relativamente ao projecto do Largo da Fonte, gostávamos de o conhecer, pois não o conhecemos. Há duas ou três imagens que apareceram na comunicação social”, garante, considerando que, dado que passa uma linha de água sob o Largo qualquer intervenção no mesmo, seria recomendável pedir algum parecer ao Governo da Madeira, por causa da questão da hidráulica fluvial. Da sua parte, garante: “Estamos aqui disponíveis para colaborar, como sempre”.

Com o escoramento realizado, adianta, “a segurança é reposta e o canal vai voltar a funcionar como funcionava anteriormente”.

O Governo Regional recuou na intenção de melhorar a partir de cima o canal do Ribeiro de Nossa Senhora numa intervenção a céu aberto, porque, disse-nos Amílcar Gonçalves, seria realmente difícil voltar a repor exactamente o piso como anteriormente se encontrava. Recorde-se que houve críticas a tal intenção por parte de moradores da zona e mesmo de partidos políticos. O GR acabou por conseguir realizar algumas melhorias na canalização do Ribeiro de Nossa Senhora a montante do Largo, mas optou agora por esta solução do escoramento, abandonando as intenções iniciais de uma intervenção profunda, para a qual chegou a estar vedada uma área com tapumes, naquele local.