Edgar Silva será o cabeça de lista da CDU às Regionais de 22 de setembro

Fotos Rui Marote.

Foi cabeça de lista às Regionais em todas as Eleições, desde 1996. Em entrevista ao Funchal Notícias avança que será ele o cabeça de lista às Regionais de 2019, “de acordo com uma orientação assumida pela CDU”.

FUNCHAL NOTÍCIAS: Edgar Silva foi cabeça de lista às Regionais em 1996, 2000, 2004, 2007, 2011 e 2015. Será também em 2019?

EDGAR SILVA: Tenho encabeçado as candidaturas da CDU, desde 1996, ao Parlamento Regional. E de acordo com uma orientação assumida pela CDU para as próximas eleições regionais deverei ser o cabeça de lista nesta candidatura.

FN: Está desiludido com o último resultado do partido nas Europeias ou são águas passadas?

ES: Não estou desiludido com o resultado eleitoral da CDU para o Parlamento Europeu. A CDU merecia muito mais! Pelo trabalho realizado pelos deputados da CDU no Parlamento Europeu e pela qualidade do desempenho dos candidatos nos debates e nas iniciativas da campanha a CDU merecia mais, muito mais. Mas, a eleição dos dois deputados garante que no Parlamento Europeu continuaremos a ter deputados vinculados à defesa do interesse nacional e não, ao contrário dos outros, deputados que são os representantes dos interesses da UE em Portugal.

FN: Quais os objectivos do PCP para as Regionais de 2019?

ES: Nas Regionais de 2019 os nossos objectivos são os de derrotar a política de direita e contribuir para a concretização de uma alternativa política e de uma política alternativa para a Região. Mais do que uma mera alternância, queremos que um novo rumo seja viável para a Autonomia, com “Justiça Social e Justiça Ambiental”. Não basta que mudem as moscas!

FN: Será desta que Herlando Amado assume um lugar em São Bento?

ES: A Herlanda Amado encabeçará a candidatura da CDU à Assembleia da República e, se os trabalhadores e o povo desta Região o quiserem, poderá corresponder a uma nova etapa e inovadora acção de luta por mais e melhor Autonomia, por mais e melhor democracia para a Região Autónoma da Madeira.

FN: Teme que o aparecimento de novos partidos (Aliança, Iniciativa Liberal, PURP, etc.) contribuam para a dispersão de votos e, com isso, o PCP seja prejudicado?

ES: Os novos partidos e coligações foram ao longo dos últimos anos uma das componentes do quadro político. Muitos já desapareceram, desfizeram-se ou foram ilegalizados. Entretanto, formaram-se outros partidos… São processos que não são novos.

FN: Das 6 Legislaturas em que participou qual foi a mais desafiadora?

ES: Em cada uma das Legislaturas configuraram-se desafios políticos muito específicos e corresponderam a patamares diversificados da vida democrática.

FN: Recorda-se de algum episódio que o marcou nas 6 campanhas eleitorais para as Regionais em que participou?

ES: De todas as campanhas e batalhas eleitorais o episódio mais marcante aconteceu nas últimas Eleições Regionais de 2015: na noite eleitoral a CDU consegui, pela primeira vez, retirar a maioria absoluta ao PSD e elegeu o terceiro deputado. Durante cerca de duas horas a situação política regional alterou-se radicalmente. Depois, movimentaram-se determinados factores que fizeram com que, por meia dúzia de votos, o PSD tivesse passado a ter mais um deputado e tivesse recuperado a maioria absoluta.

FN: Foi candidato a presidente da República em Outubro de 2015. O professor Marcelo Rebelo de Sousa tem defraudado as suas expectativas?

ES: Marcelo Rebelo de Sousa tem uma interpretação peculiar das funções presidenciais, que na campanha eleitoral tivemos oportunidade de apontar.

FN: Quem acha que vai ganhar as eleições Regionais em 2019?

ES: Nestas eleições estará em causa a eleição dos deputados para a Assembleia Legislativa Regional da Madeira. E o que estará em causa não é apenas qual a candidatura com mais votos. Porque, tal como aconteceu nas últimas eleições legislativas nacionais, embora o PSD/CDS tenham conseguido mais votos, não venceram as eleições e não conseguiram formar governo… Então, a correlação de forças no Parlamento é que poderá ditar quem “vencerá” as próximas eleições regionais. Um dado me parece muito provável, é que nenhuma das candidaturas por si só e isoladamente conseguirá ter uma maioria absoluta.

FN: Que comentário faz à revogação da suspensão “à divinis” ao Pe. Martins Júnior?

ES: A decisão do Bispo do Funchal relativamente ao Pe. Martins Júnior, sendo um antigo problema interno da Igreja Católica, terá prevalecido o bom senso do Bispo da Diocese.