Opinião: A Filosofia em questão no Exame Nacional de Filosofia da 1ª Fase de 2019

José Carlos Ferreira (professor de Filosofia)

Foi mais um exame brilhante o de Filosofia (714), aquele que hoje [ontem] nos foi presenteado. Concebido por seres altamente informados, como já se esperava.
Veja-se a opinião, informada certamente, que é razoável argumentar que enganar os outros para salvar a pele não é uma ação imoral (questão 3. do grupo I).
É assim que se devem formar as novas gerações, dizem as academias (se não dizem calam-se o que vai dar ao mesmo), as sociedades filosóficas e os fazedores de manuais. Ah e também os explicadores, verdadeiros sacerdotes.
Dá pena ver como estão a tratar a filosofia com exames destes, em que a única questão de reflexão critica (grupo V) continua a ter a cotação de 16 pontos. O mesmo valor que duas, das dez, questões de resposta múltipla, muito objetivas como já mostrei.
Para já não falar da censura que representam as Aprendizagens Essenciais, que roubam a liberdade de ensinar e de pensar, expulsando do Programa de Filosofia tudo o que é desviante do monolitismo dogmático desta gente e acrescentam ainda o que o Programa não contemplava.
Não compreendo tanto silêncio, porque se calam todos. Esta escolástica é melhor que todas as outras? Não, é pior, porque estamos no séc. XXI. Não se admite que haja quem queira subtrair a crítica à crítica e impor esse credo, com violência a toda uma geração.
Nenhuma técnica meta-cognitiva obrigará a verdade a revelar-se. Santa ingenuidade a daqueles que acreditam que este é o tempo do Juízo Final. Só há uma atitude filosófica razoável, que é intemporal, a reverência inquiridora perante o insondável sentido das coisa…