Então não eram 100 aviões na frota da TAP Air Portugal?

A 20 de maio a TAP Air Portugal celebrou a entrada da 100ª aeronave na sua frota, numa cerimónia com pompa e circunstância, assinalando o feito com a inscrição “100th” na fuselagem do Airbus A330NEO CS-TUI.

Porém, uma simples consulta na internet faz concluir que a frota da TAP Air Portugal totaliza 106 “pássaros de ferro”. Então não eram 100?

Na semana passada a TAP Air Portugal recebeu três aeronaves de longo curso, concretamente Airbus A330-900, diretamente da fábrica, perfazendo a dezena na frota, modelo cujo a TAP Air Portugal foi o operador inaugural. Esta foto mostra o contraste entre o Airbus A330 da antiga geração (Infante Dom Henrique, modelo da versão 200, com motores Pratt & Whitney), e o primeiro Airbus A330-900 de sempre, assinalado como tal, e facilmente distinguível pelo formato da extremidade da asa.

 

 

(Airbus A330-200 versus A330-900. Crédito: José Luís Freitas)

Os Airbus A330-800 e Airbus A330-900 são comercialmente conhecidos como “A330NEO”.

Estes dez “widebodies” de nova geração adicionam-se aos treze Airbus A330 da série anterior (onze Airbus A330-200 e dois Airbus A330-300) e aos quatro fiéis Airbus A340-300. A frota de longo curso totaliza hoje 29 aeronaves, incluindo dois inovadores Airbus A321LR que fazem voos para a costa leste da América do Norte. A Air Portugal adicionou três novas máquinas à sua frota em Maio e quatro em Junho deste ano, aumentado o inventário para 85 Airbus. A contabilidade da família TAP fica completa com os treze Embraer 190/195 da Portugalia (TAP Express) e os oito ATR-72 dedicados em exclusivo pela White Airways (TAP Express também), perfazendo um total de 106 aeronaves. A madeira recebeu no domingo o novo Airbus A320NEO CS-TVE, a fazer o seu 8º voo de sempre, tendo sido estreado no dia anterior.

(Estreia do A320NEO CS-TVE na Madeira. Crédito: José Luís Freitas)

Numa sociedade histérica por pseudo-polémicas e ávida de fait divers partilháveis em efeito bola de neve pelas redes sociais, cujos comentários soltam mais dopaminas do que uma opinião resultante de interpretação criteriosa, ou reconforto e orgulho no oportunamente dourado silêncio, crescimentos deste género são demasiado complexos para estimular a atenção pública. Os mesmos que reclamam de aeronaves velhas, ausência de rotas para América do Norte, e defendem o hub de Lisboa e a importância da TAP na economia nacional, parecem descartar a relação entre o crescimento e a abertura da linha de Chicago e São Francisco.

Antes da privatização, em 2015, TAP Air Portugal tinha menos 30 aviões que agora, e em poucos anos serão 120.