Maduro aparenta manter apoio dos militares; EUA dizem que tinha avião pronto para levá-lo a Cuba, mas foi demovido pela Rússia

As últimas informações relativas à situação na Venezuela dão conta de que três personalidades próximas do presidente venezuelano Nicolás Maduro concordaram com a oposição de que o mesmo tinha de “sair, mas recuaram nessa intenção, revelam fontes estadunidenses. Juan Guaidó, como é sabido, apelou aos militares para que o ajudassem a terminar o regime de Maduro, enquanto se faziam sentir protestos na capital, Caracas, mas a maioria dos militares posiciona-se aparentemente com o actual líder, e Guaidó surge agora como golpista.

Por outro lado, o secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo, citado pela CNN, afirmou que Nicolás Maduro se preparava ontem para abandonar o país por via aérea e refugiar-se em Cuba, mas foi dissuadido pela Rússia. Pompeo, no entanto, não apresentou quaisquer provas da alegação.

John Bolton, conselheiro de segurança dos EUA, assegurou por outro lado que o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, era um dos homens que esteve envolvido durante três meses em negociações com a oposição venezuelana, cita a BBC. Mas Padrino surgiu na TV rodeado de soldados e reafirmando a sua lealdade a Maduro.

A situação, como se vê, continua confusa. Os outros dois membros do círculo próximo de Maduro que supostamente chegaram a ponderar retirar-lhe a sua confiança (ou conspirar contra ele), de acordo com a tese de John Bolton, seriam o comandante da guarda presidencial Ivan Rafael Dala e o juiz-chefe do Supremo Tribunal, Maikel Moreno. Mais uma vez, estas alegações deste responsável norte-americano carecem de confirmação.

O correspondente da BBC em Caracas deu conta ontem dos mais violentos episódios na crise política na Venezuela, com apoiantes de Juan Guaidó a serem dispersados por veículos militares armados. Os manifestantes atiraram pedras aos militares, mas foram dispersos por canhões de água e gás lacrimogéneo, em tácticas convencionais anti-moti,m. Já não convencional foi quando veículos blindados investiram contra uma multidão, sem que se saiba se resultaram feridos do incidente. No entanto, diz a BBC que o Ministério da Saúde venezuelano deu conta de 69 pessoas feridas um pouco por todo o país.

Já o Diário de Notícias de Lisboa dá conta da reafirmação de lealdade a Nicolás Maduro feita pelo lusodescendente José Ornelas Ferreira, chefe do Estado Maior das Forças Armadas venezuelanas. E o presidente eleito da Venezuela, em eleições cujos resultados, porém, são contestados pela oposição venezuelana e por vários países, continua a garantir manter o apoio dos militares.