

As revelações são surpreendentes e foram feitas pelo ex- presidente do Conselho Fiscal da Caixa Geral de Depósitos, entre 2008 e 2016. Sem “papas na língua”, Eduardo Paz Ferreira foi ao Parlamento da República,na segunda comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD. Com o nome do empresário madeirense “metido ao barulho”, através de declarações que indiciam situações que apontam no sentido de tanto o governo como o Banco de Portugal terem “deixado correr as coisas”.
Paz Ferreira revelou estar convencido que “os governos teriam uma ideia de deixar correr a ver se aguenta”, dando a entender que que esse correr significava ver se os créditos problemáticos iriam resolver-se por si. “Transmitimos essa realidade à tutela para que avaliasse. Segundo revela o Público, citando as declarações do antigo responsável, “havia “tratamento especial” a alguns dos grandes devedores do banco público, sobretudo ao comendador Joe Berardo, a quem foram concedidos créditos superiores a 350 milhões de euros”, apontando de seguida que “tinha havido intervenção do Governo de José Sócrates, através de Teixeira dos Santos, para a entrada da CGD no negócio da Artlant em Sines e ainda que havia empréstimos que não chegavam a ser cobrados, para que não ficasse reflectidos os incumprimentos nas contas do banco público”.
“Paz Ferreira contou aos deputados que a dada altura convocou uma reunião com os serviços da CGD e com um administrador executivo e que o questionou: “Joe Berardo é tratado como qualquer outro cliente na CGD?” “Isso não posso dizer”, respondeu o administrador executivo, que Paz Ferreira não quis nomear, mas que a deputada Mariana Mortágua identificou como sendo José Pedro Cabral dos Santos”. Berardo, disse Paz Ferreira, “um tratamento “especial e à margem das regras da Caixa Geral de Depósitos”.
Segundo indica o Expresso, “o antigo responsável da CGD adiantou que à medida que as ações do BCP iam caindo, ações essas adquiridas por Berardo com dinheiro emprestado pelo banco público, insistiu “sucessivamente para que se executassem” as garantias, tendo a resposta da comissão executiva da Caixa sido que iria estudar a hipótese “juridicamente”.
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