Diretor do Serviço de Cardiologia do SESARAM alerta para a falta de recursos humanos e diz que exames na Medicina Nuclear só manda fazer se tiver um cardiologista

O diretor do serviço de Cardiologia do SESARAM, o médico António Drumond, disse hoje, no âmbito da comissão parlamentar de inquérito ao funcionamento da unidade de Medicina Nuclear do Serviço Regional de Saúde, sobre o conflito de interesses público/privado, numa questão colocada pelo deputado do JPP Élvio Sousa, disse claramente que “não”. Sublinha que “temos que ser muito corretos. Cada um deve saber o que é o hospital e o que é o privado. Não pode haver misturas. Admito exames para o privado quando não há no público, acima de tudo está o doente”.

António Drumond recusa, por parte do seu serviço, haver um desvio deliberado de doentes para o privado. “Faço tudo pelo doente, encaminhando para as melhores soluções”. Diz que a regulação do público e do privado “é do foro da consciência pessoal”.

Diz que “fazemos tudo aquilo que podemos fazer para termos um serviço de topo, da parte técnica, apesar de haver falta de recursos humanos e de pessoas que ajudem a que a parte mais básica possa ser mais valia para as populações. Formamos pessoas mas não ficam aqui, isto terá que ser sanado”.

O médico garante que “naquilo que não temos segurança, não fazemos. E quando isso acontece, faço um relatório a explicar. Nunca tive problemas graves relativamente a falta de material. Sou rígido nisso, as pessoas conhecem-me”.

Sobre as razões que levaram o seu serviço a não enviar mais exames para a Medicina Nuclear, esclarece que “desde que não tenha um cardiologista na Medicina Nuclear do SESARAM não mando fazer. Quando envio para o privado, tem um cardiologista a acompanhar. Se o Dr. Rafael Macedo regressar ao serviço, não tenho qualquer relutância em mandar fazer exames na unidade, desde que tenha um cardiologista e um nuclearista. Só este não. Nunca abdicarei disso”.