Mota Amaral “aponta o dedo” ao PSD e diz que a liderança de Rui Rio desiste de acolher a voz das duas Regiões Autónomas na lista de candidatos ao Parlamento Europeu

“Em 26 de Maio próximo teremos a resposta do Povo Açoriano e será decerto inequívoca!”, escreve Mota Amaral, na imagem com Rui Rio, líder nacional do PSD, e Alexandre Gaudêncio, líder do PSD-Açores.

Se alguém eventualmente pensou que esta ausência do representante do PSD-Açores na lista de candidatos às eleições europeias iria ser pacífica, entregando à Madeira uma representação das duas Regiões Ultraperiféricas portuguesas, enganou-se redondamente, primeiro com as declarações do líder social democrata açoriano e depois, hoje, por aquilo que escreve, no Correio dos Açores, Mota Amaral, antigo presidente do partido nos Açores, antigo presidente do Governo Regional, antigo presidente da Assembleia da República, figura que estava indicada para constar na lista nacional às europeias, desde que em lugar elegível, o que não aconteceu.

Rui Rio pretendia que a representação do PSD-Açores fosse em oitavo lugar, o que a avaliar pelos estudos e sondagens, não é elegível. O PSD-Açores defendia o quinto lugar, sabendo-se, hoje, num artigo que Mota Amaral escreve no jornal Correio dos Açores, que este admite que a Madeira pudesse ter um lugar à frente dos Açores, deduzindo-se que a estrutura açoriana do PSD poderia anuir a um 6º lugar, que como se sabe está destinado à candidata do PSD-Madeira Cláudia Monteiro Aguiar, que neste cenário defendido pelos Açores, poderia figurar em 5º.

Mota Amaral diz mesmo que “deixei claro desde o início que concorria para ajudar o PSD/Açores e não para um qualquer lugar de destaque na lista nacional, pondo como única condição que se tratasse de um lugar elegível, concretamente até ao quinto, sem excluir que fosse mesmo atrás do atribuído à Madeira, já que entendo que os candidatos valem por si próprios e não pela ordenação que lhes é atribuída”.

O antigo presidente do Governo Regional dos Açores, que durante anos mediu protagonismo com Alberto João Jardim, não obstante estilos completamente distintos, mas cada qual com carismas internos à sua maneira, escreve que “o embaraço derivado da minha indigitação manteve-se até final e provocou inúmeras declarações explicativas de dirigentes nacionais do PSD”, fazendo uma revelação que “só tardiamente veio a saber-se, por carta do Secretário- Geral do Partido a Alexandre Gaudêncio, que a Comissão Permanente da Comissão Política Nacional tinha decidido,” há algumas semanas”, que os candidatos representantes das Regiões Autónomas deixariam de ter assegurado lugar elegível, como sempre tinha acontecido, passando a reservar-se a uma delas apenas tal garantia, alternando em legislaturas sucessivas. Para as eleições deste ano tal lugar caberia à Madeira, sendo os Açores remetidos para o oitavo lugar, claramente inelegível, julgado incompatível para alguém “que constitui uma das principais referências políticas do PSD e do País”, segundo José Silvano”.

Elogios desses são dispensáveis”

Considera Mota Amaral que “elogios desses são dispensáveis quando, lançando pela borda fora um compromisso estrutural e histórico com a Autonomia Constitucional dos Açores e da Madeira, o PSD desiste de acolher a voz das duas Regiões Autónomas na sua lista de candidatos ao Parlamento Europeu. E até soam a falso, perante o elenco final da dita lista. Para além disso, o Presidente do PSD, quando se deslocou aos Açores, na fase de campanha para as eleições internas para a liderança, expressamente respondeu, em sessão pública, que manteria a tradição de haver um candidato dos Açores em posição elegível na lista para o Parlamento Europeu. A sua credibilidade política fica assim debilitada perante os militantes, simpatizantes e potenciais eleitores do PSD na Região Autónoma dos Açores”.

O histórico do PSD-Açores deixa claro que “nunca fiz qualquer diligência para ser candidato ao Parlamento Europeu e sempre tive até algumas reticências sobre a força da legitimidade democrática e os modos de funcionamento de tão poderosa instituição, conforme testemunham vários dos meus escritos sobre temas europeus”, revelando que estes mesmos escritos estão reunidos em livro, “com data de lançamento já fixada para 27 do corrente e apresentação garantida por Jaime Gama e Pedro Gomes.”

Aponta, por isso, que “foi por isso com alguma surpresa que recebi o convite formal de Alexandre Gaudêncio, em nome e por deliberação unânime da Comissão Política Regional do PSD/Açores, para aceitar ser indigitado aos órgãos nacionais do Partido, tendo em vista uma futura inclusão na lista de candidatos às eleições europeias do final do próximo mês de Maio.
Exprimi logo algumas objecções, a mais substancial dizendo respeito às minhas conhecidas discordâncias com algumas das linhas de actuação do Partido Popular Europeu, sob cuja bandeira milita o PSD no âmbito das instituições europeias. E, naturalmente, pedi algum tempo para pensar e aconselhar-me sobre o assunto”.

No final do artigo publicado no Correio dos Açores, deixa uma mensagem que não pode ser, seja de que modo for, ignorada pela direção nacional do PSD, que não só não tem margem eleitoral para dispensar apoiantes, como está em ano de três eleições verdadeiramente importantes para o futuro, de Rui Rio e do partido no seu todo. “Alexandre Gaudêncio prometeu uma resposta forte à desconsideração agora sofrida e já se levantam rumores de processos disciplinares, que caiem aliás totalmente no ridículo… Em 26 de Maio próximo teremos a resposta do Povo Açoriano e será decerto inequívoca!”, termina assim Mota Amaral.