Fundador de grupo que defende “ferry” todo o ano “pessimista” sobre operação de 2019 e diz que o “Volcan de Tijarafe” está a operar no Mediterrâneo

Paulo Farinha sugere a construção de uma segunda rampa.

Num dia em que o empresário hoteleiro António Trindade veio alertar para a importância da Madeira levar informações sobre a operação “ferry” 2019 à ITB, a maior feira de turismo da Europa, que decorre em Berlim de 6 a 10 de março, o fundador do Grupo Cruise ferry-Madeira revela que a expetativa relativamente à ligação marítima de passageiros para este ano “é pessimista”, atendendo a que o “Volcan de Tijarafe”, o “ferry” que teria todas as condições para assegurar o trajeto, em termos de “segurança marítima, navegação estável e bom índice de conforto nas acomodações”, foi colocado “numa nova ligação marítima no Mediterrâneo, em novembro de 2018.

Para Paulo Melich Farinha, aquele “ferry”, presentemente, “realiza com assinalável êxito, a ligação marítima entre Gandia, na Península, com as ilhas de Ibiza e Palma. Perante este cenário, prevê-se que o êxito deste ferry no Mediterraneo aumentará neste Verão, logo, será mais difícil, conseguirmos um navio ferry para realizar as viagens previstas este Verão na Madeira”. Lembra que “no passado, o “Volcan de Tijarafe” realizou viagens regulares entre as Canárias, Madeira e Portimão, semanalmente, todo o ano, desde 2008, até finalizar em Janeiro de 2012, principalmente, por motivo do aumento de 15%, das elevadas taxas portuárias no Porto do Funchal e por motivos de obstaculizações às operações ferry, inclusive na logística da carga rodada. No Verão de 2018, realizou viagens com êxito, entre as Canárias, Madeira e Portimão”.

O responsável do grupo que tem defendido o “ferry” todo o ano faz alusão à posição de António Trindade, empresário e gestor hoteleiro, onde este refere que 60 a 70 % da marcação de férias de
Verão na Europa do Norte (de onde vem a grande maioria dos nossos turistas) é feita até o fim de Fevereiro, referindo-se também, que bom seria levarmos informação sobre a operação Ferry 2019, à ITB em Berlim, que acontecerá dentro de uma semana”. Acrescenta Paulo Farinha que “acontece o mesmo com os portugueses, que programam com antecedência as suas férias, sendo lamentável, não sabermos absolutamente nada, acerca da ligação ferry para este Verão. Por exemplo, os emigrantes desesperam”.

Relativamente à posição do Governo da República, sobre o financiamento da operação, que daria uma outra regularidade à operação, Paulo Farinha afirma aguardar, com expetativa, a posição da ministra do Mar naquilo que se prende com “a instalação de uma rampa ferry em Lisboa”, sugerindo uma segunda rampa, no Funchal, para a zona da Lota, entre esta e o Cais Norte, sendo que, como lembra, “a 2ª rampa ferry está projectada para o Porto do Funchal desde 1972, havendo mesmo projeto para tal”.
disponho do projecto em papel, sublinhando que “esta sugestão de rampa ferry, não obstaculiza a manobrabilidade do ferry local “Lobo Marinho”, mesmo com navios de cruzeiro atracados”.

Defende para a Região o conceito “cruise ferry”, explica que esse conceito como destinado a turistas que “gostam de se deslocar entre destinos, com as suas viaturas, em navios ferry. Na Europa, milhares de europeus, cruzam as fonteiras com as suas viaturas, e embarcam em navios ferry normais ou cruise ferry. Se Lisboa contar com uma rampa ferry, os turistas poderão embarcar num ferry com destino à Madeira, tal como aconteceu em Portimão entre 2008 e Janeiro de 2012. Evidentemente que devido à
centralidade do país, Lisboa será mais atraente para os passageiros, sejam turistas ou
não, logo, a rentabilização do ferry será mais promissora”.