Esta noite marcou o ocaso da Germania, companhia germânica de baixo custo, que tinha cumprido no ano passado o quadragésimo aniversário.
Foi fundada em 1978 como Special Air Transport (SAT), daí os voos operados em sua prol terem o prefixo “ST” (código da IATA) ou “GMI” (código da ICAO). Apenas em 1986 se reformulou a marca para a atual Germania.
A Germania era presença habitual na Madeira, voando sobretudo da Alemanha, mas também da Suíça e França. Há duas semanas tivemos a visita do Boeing B.737-700 D-AGER com a pintura comemorativa dos 30 anos que, segundo rumores, estaria nas derradeiras horas de voo antes de rumar à reciclagem. Ficou órfão ao mesmo tempo que todos os outros da frota, cerca de uma trintena de aviões.
Encerrou ao final do dia 4 de fevereiro, com efeitos imediatos a Germania Fluggesellschaft mbH alemã, a Germania Flug (suíça), e a Bulgarian Eagle (surpreendentemente búlgara, mas a ostentar pintura da Germania). Tão cruel é esta sentença que até a empresa de manutenção sediada em Berlin, a Germania Technik Brandenburg GmbH, fechou as portas dos hangares. Isto é muito raro, veja-se que a manutenção da Monarch ainda respira dois anos após o falecimento do transporte aéreo.
A causa do encerramento é de ordem financeira, segundo o CEO, devida aos “clássicos”: subida do preço dos combustíveis, desvalorização do USD face ao Euro e inesperados custos de manutenção. Os custos de manutenção poderão ter sido agravados com cauda nova que um B.737 necessitou após embate no estabilizador horizontal de um B.767 da El Al, em Tel Aviv, que acabou com a vida útil deste último.
A Germania havia crescido imenso nos últimos, abrindo bases no estrangeiro como Londres Gatwick, e vindo a adicionar aeronaves maiores como o Airbus A321. Sendo uma companhia totalmente independente, sem afiliação a nenhuma das grandes, ou integração nas alianças, vivia dos contratos com operadores turísticos, fretamentos (como a linha da Madeira para Jersey) e venda direta de bilhetes.
Segundo consta alguns operadores não lhes renovaram subcontratos, o que precipitou a queda vertiginosa em janeiro. A base de Gatwick já tinha fechado, tendo a polaca Enter Air absorvido o negócio. No mês passado veio a público a notícia que seria necessária uma injeção de capital de 15 milhões de euros para poder pagar os salários do mês. Sinais positivos que um financiador estaria disponível para proporcionar essa liquidez não se concretizaram e a Germania cessou de operar, com salários em atraso.
A marca Germania era por si fraca, raramente se via publicidade explicita, campanhas ou anúncios de rotas. A Germania não poderia competir com Eurowings, Ryanair, e outras low cost predadoras. A vulnerabilidade de uma empresa que tinha encomendado mais de uma vintena de A320NEO a quebras de contratos com operadores era imensa.
O primeiro voo cancelado foi um Berlim Tegel – Tel Aviv ontem à noite, na hora do embarque. Hoje, dia 5 de fevereiro, estavam planeados 4 voos para a Madeira, irreversivelmente cancelados.
Na Alemanha sobrevive sempre a família Lufthansa e o grupo TUI.
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