Albuquerque manifesta apoio a Rui Rio e critica governo central e presidência da República: “Isto é uma foleirada”

Fotos: Rui Marote

O líder do PSD-Madeira, Miguel Albuquerque, não poupou nos termos depreciativos e considerou hoje, na sua intervenção no encerramento do Congresso do PSD-Madeira: “Isto é uma foleirada!” O social-democrata ventilava assim a sua irritação por alguns fenómenos que se reflectem na vida política e pública regional, nomeadamente o facto de a Madeira ter perdido para Portalegre a honra de acolher as celebrações do Dia de Portugal este ano, apesar de neste momento estarem a decorrer as celebrações dos 600 anos da descoberta da ilha. “Parece que a Madeira não faz parte de Portugal”, enfureceu-se o também presidente do Governo Regional.

Na qualidade de líder partidário, Miguel Albuquerque declarou: “Estamos fartos de ser humilhados por um governo que não foi sequer eleito”. As críticas ao governo levaram de arrasto as não menos arrojadas críticas à presidência da República, também responsável em todo este processo. “Votámos no presidente da República não para tirar “selfies” mas para garantir as instituições democráticas”, sublinhou, considerando que é tempo de Marcelo Rebelo de Sousa tomar posição clara quanto à “intolerável discriminação a que o Governo da República ainda vota os madeirenses e porto-santenses”. Isto, considerou, não pode ser aceite. O Estado tem a obrigação, referiu, de “cumprir a coesão social e territorial”.

Ora, salientou, está verdadeiramente farto de assistir a um cortejo de ministros socialistas que, do seu ponto de vista, vêm à Madeira apenas para “ensinar os meninos a comer a sopa”, numa atitude indulgente que aparentemente o enfurece.

Recentemente, o ministro do Ambiente veio à RAM para “ensinar aos pategos” como se deve governar em termos ambientais. E a ministra do Mar também cá esteve, “a meter água”, ironizou. Tudo com muita “conversa fiada” sobre o financiamento do ferry todo o ano entre o continente e a Madeira, mas que ainda não está inscrito no orçamento do Estado.

“No próximo fim-de-semana parece que vem cá o líder do PS para mais um “passeio dos alegres”, irritou-se Albuquerque, criticando os “complexos de inferioridade” da oposição que parece “sofrer de masoquismo ostentatório” e que está sempre pronta, acusou, para bater a pala aos senhores vindos de Lisboa.

A este discurso, reminiscente de uma certa retórica jardinista e que reacende o “contencioso das autonomias”, não faltou a versão de Albuquerque do “povo superior”: “Os madeirenses têm um sentido crítico apurado, como é típico das sociedades inteligentes”, garantiu. Daí que “não vão embarcar em personagens que vivem do exibicionismo e da demagogia”, declarou, numa óbvia indirecta ao candidato do PS-M para a presidência do Governo este ano.  Os madeirenses, afirmou, não vão acreditar “numa montagem publicitária dos socialistas ao serviço dos continentais”.

“Tenham juízo”, recomendou ao povo da RAM, na hora de enfrentarem a “ameaça real” da vitória socialista na Madeira. O PS, garantiu, “não tem ideia própria do futuro da Madeira”, e deixa-se guiar pelos seus correligionários da capital.

Ora, destacou, até agora os madeirenses têm usufruído de “estabilidade”, “paz social”, “confiança”, “harmonia” e um equilíbrio nas finanças públicas. Admitindo que não há sociedades perfeitas, e que a sociedade madeirense enferma de alguns males, o orador ironizou no entanto que “sociedades perfeitas, só as comunistas”, como a Coreia do Norte e a Venezuela, e aconselhou os partidários destes regimes a irem para lá experimentarem essas realidades, “para ver como é bom”.

Entretanto, e dirigindo-se a António Costa, Miguel Albuquerque aconselhou o primeiro-ministro a “deixar de empurrar com a barriga” questões candentes como o subsídio de mobilidade, “que os madeirenses estão fartos de adiantar dinheiro” e exortou-o a “meter ordem na TAP” que, reafirmou, e ao contrário do que desmente o seu administrador Antonoaldo Neves, pratica, sim, “preços pornográficos” nas ligações entre a Madeira e o continente.

“O país cor-de-rosa criado pelas esquerdas é uma ficção e um logro”, denunciou. “Há muito tempo que Portugal não era tão mal governado”. A austeridade, afirmou, “acentuou-se” e a carga fiscal do ano passado é a maior de sempre no país. Quanto ao investimento público de Portugal, foi o mais baixo das últimas três décadas, declarou.

Considerou, por outro lado, ridículas as críticas da oposição regional ao serviço de saúde da RAM, uma ferida aberta na sua governação e que tem sido constantemente alvo de críticas, porque, contrapôs, o serviço nacional de saúde “está a dar o berro” e “está na iminência de colapsar”. Apontando a “grande dívida pública”, Albuquerque terminou a sua intervenção acolhendo bem a sugestão de Rui Rio (já anteriormente expressa por Alberto João Jardim) de que é necessário explicar convenientemente aos madeirenses, nos concelhos e nas freguesias, o que está em jogo nas eleições deste ano, em termos de modelos de governação. E, dirigindo-se à secretária-geral do PSD Açores, mostrou-se desejoso de encetar novas linhas de diálogo e colaboração.

“Portugal precisa de alternativas à governação de esquerda”, sentenciou. Por isso, assegurou, Rui Rio pode contar com o apoio do PSD Madeira.