Mudança, aproximação à ala jardinista e capitalização do “valor” de Rubina Leal em votos pesaram em Albuquerque, Carlos Teles na Comissão Política

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Miguel Albuquerque tem contado com Rubina Leal para os “casos difíceis”.
Albuquerque TSD B
Albuquerque e Rui Abreu têm mais de 30 anos de proximidade política.

Miguel Albuquerque operou uma mudança substancial nos orgãos do partido, tanto na Comissão Política Regional como no Secretariado, numa clara decisão que teve a ver, como o Funchal Notícias apurou de fonte próxima ao processo, com uma necessidade de mudança que o líder vinha sentindo há algum tempo e cujas alterações vinha avaliando para que conseguisse, a um ano das eleições, um “arrumar” da casa partidária, ao mesmo tempo que tenta colocar o Governo mais próximo da populações, com as sucessivas medidas sociais anunciadas quase diariamente nos dois jornais.

Como está estipulado no regulamento para a eleição da Comissão Política Regional e Secretariado, “as candidaturas e as propostas de estratégia global devem ser entregues na sede do PSD-M, na Rua dos Netos, no Funchal, endereçadas ao Presidente da Mesa do Congresso, até às 18 horas do dia 21 de Novembro de 2018, amanhã, quarta-feira,  acompanhadas das assinaturas originais”, sendo que “as listas deverão ser afixadas na sede regional até o dia 28 de Novembro, uma vez verificada a respectiva legalidade pelo Conselho de Jurisdição Regional.

Opção de fazer sair todo o Secretariado

A 24 horas desse prazo limite, os dois jornais divulgaram uma primeira informação, com a alteração do secretariado. Não muda só Rui Abreu, o secretário-geral, mudam também os restantes elementos, o que é revelador de uma intenção clara de rompimento com a situação, tão clara na exata medida do descontentamento com a forma como o secretariado vinha trabalhando a máquina partidária.

São muitos os que apontam a ação pouco incisiva de Rui Abreu nestas funções, não só quando acumulava um cargo de responsabilidade e proximidade na Quinta Vigia (chefe de gabinete), com o secretariado, mas também depois, quando apenas circunscreveu a sua ação no PSD-M, precisamente para dar maior atenção ao trabalho com as estruturas de base. Isso não aconteceu, ao que nos garantem, pelo menos na medida do que era exigível. Daí, esta opção de Albuquerque de fazer sair toda a equipa e entrar um grupo novo para dar, também, um novo impulso ao secretariado do partido, tendo em vista a necessidade de começar a recuperar terreno para as eleições de 2019.

O FN sabe que a escolha do secretariado foi minuciosamente pensada por Albuquerque. José Prada, deputado, o homem que lidera a comissão parlamentar de inquérito à gestão da TAP, foi a escolha para novo secretário-geral, sendo que Rui Coelho, um homem forte da máquina de Jardim, aparece com um papel fundamental de aproximação daquilo a que podemos chamar a ala jardinista, além de conhecer bem o partido por dentro.

Carlos Teles integra Comissão Política

A verdade é que Albuquerque já percebeu que a unidade do PSD-M, depois das clivagens provocadas pelas eleições internas e de umas autárquicas que não correram bem, é mais importante do que nunca, não podendo correr riscos de perder tendências internas nas eleições regionais de 2019, para mais tratando-se de um ato eleitoral em que o voto será contado ao milímetro em função da concorrência forte que Paulo Cafôfo veio trazer ao cenário político regional.

Rubina Leal aparece, mais ou menos, como a escolha para as situações complicadas do partido, havendo a consciência que a sua popularidade vale mais em votos do que o próprio partido. É uma opção de longa data por parte de Albuquerque, foi vereadora quando o agora líder do partido era presidente da Câmara do Funchal, fez parte do governo e foi candidata à liderança da Autarquia funchalense, nas últimas eleições autárquicas, num cenário extremamente difícil em que Cafôfo aparecia praticamente eleito à partida, mas mesmo assim a candidata do PSD obteve um bom resultado em número de votos, situação que pesou nesta escolha, contando com a experiência e o contacto fácil que tem com a população.

Rui Nunes e Antero Santana são nomes, também eles, de terreno, o que evidencia o claro propósito de Albuquerque em fazer mudar muita coisa neste ano que falta, mais próximo dos militantes, mais próximo das tendências internas, mais próximo da população madeirense.

Relativamente à Comissão Política, o dia de amanhã será certamente do conhecimento sobre a composição da lista, sendo que o Funchal Notícias conseguiu apurar que Carlos Teles, o presidente da Câmara da Calheta, é um dos novos nomes a integrar a Comissão Política Regional do partido.