Universidade Aberta abre Centro de Aprendizagem Local em Câmara de Lobos

A Universidade Aberta, que investe no Ensino Superior à distância, está a comemorar 30 anos de existência e, segundo a investigadora Isolina Oliveira, tem tido um número razoável de professores da Madeira a fazer investigação académica. Por isso, a realização do Encontro sobre Inovação e Liderança Educacional, na Escola Secundária Jaime Moniz, é “também um tributo a estes professores que se esforçam nas áreas da investigação”.

Neste Encontro foi também destacado o facto de a UAb contar com um Centro de Aprendizagem Local, na Biblioteca Municipal de Câmara de Lobos, graças a um protocolo de cooperação firmado entre a autarquia e a instituição nacional de ensino superior. Um ponto de apoio importante a todos quantos estudam ou queiram fazer a sua formação superior à distância.

Membro do Departamento de Educação e Ensino à Distância da UAb, Isolina Oliveira, fez uma abordagem histórica sobre os vários modelos de liderança e as suas características, desde o modelo instrucional aos modelos transformacionais, à liderança distribuída, à e-liderança e à liderança ético/moral.

Na última década, segundo a investigadora, uma liderança bem sucedida é aquela em que a avaliação visa a aprendizagem, que passa da exclusão para a inclusão, do ensino efetivo (para todos) e que investe na autoavaliação das escolas para a melhoria da sua performance.  Na verdade, o desiderato principal de uma liderança é sempre “contribuir para a melhoria da escola”. Este objetivo tem, ao longo dos anos, norteado os líderes escolares que seguem diferentes modelos organizacionais.

Cláudia Neves também refletiu sobre os contributos da investigação para as questões das lideranças educacionais. Na sua intervenção, defendeu que há um certo hibridismo nas lideranças, ou seja, os líderes seguem diferentes modelos, consoante as situações que enfrentam.  A  investigadora, ligada à DEED/LE@D-UAb, revelou que a agenda política que vem regulando o sistema educativo tem vindo a dar mais enfoque aos resultados académicos, condicionando as lideranças das escolas. Nenhum líder consegue ser indiferente aos rankings, à competitividade e às agendas políticas de cada momento. Aliás, sustentou que “o paradigma liberal tem marcado os modelos de liderança educacional. Isto obriga a uma constante prestação de contas por parte das escolas  e faz com que a autonomia fique mais condicionada”.

Por outro lado, Cláudia Neves  reconheceu que, no contexto escolar, a pressão é grande tendo em vista uma educação para todos, ou seja, para o sucesso educativo. Esta realidade exige uma liderança democrática, participativa e transformacional e uma partilha alargada por parte de diversos intervenientes. Cada ator é um líder. A liderança resulta de uma ação compartilhada por diversos atores.

Neste Encontro, foi também realçado o contributo valioso nos estudos académicos da Professora Lídia Grave, investigadora da UAb já falecida.

O Encontro, promovido na ESJM, prolonga-se pela tarde com as intervenções de outros investigadores sobre a liderança.