Tranquada “estreia” presidência de sessão solene no Dia do Concelho de Câmara de Lobos e diz que o Hospital “não é benesse da República”

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Tranquada Gomes presidiu à sessão solene do Dia de Câmara de Lobos. Pela Prmeira vez.

Aconteceu hoje, no dia do Concelho de Câmara de Lobos. Pela primeira vez, a sessão solene, que decorreu com a presença de várias entidades, foi presidida pelo titular do primeiro órgão de Governo da Região, Tranquada Gomes.

O presidente da Assembleia Legislativa Regional não deixou passar em claro esse momento, que considerou importante, uma vez que, recebendo convites para estar presente em sessões solenes de vários concelhos, esta foi, no entanto, a primeira vez que não corresponde a uma presença apenas, mas sim a uma presidência do ato, a corresponder à dignidade do cargo.

Tranquada diz que não se trata de protagonismos, “trata-se apenas, como tenho vindo a enfatizar, de recomendar que a Assembleia Legislativa, representante máxima da vontade livre e democraticamente expressa pelos cidadãos, não seja menorizada e relegada para protagonismos secundários ou transformada num ator de
segundo plano, numa encenação na qual, paradoxalmente, até parece que a afirmação da Autonomia Regional passa pela valorização mediática e institucional de respeitáveis
entidades nomeadas”.

Perante autoridades regionais e locais, o líder do Parlamento Madeirense relevou a importância da Assembleia, considerou “importante e necessário que as instituições locais valorizem os órgãos de governo próprio, independentemente das diferenças ideológicas ou das opções partidárias dos eleitos”, reforçando, ainda, que “cada instituição na região tem o seu espaço, as suas competências e a correspondente
legitimidade. Confundir eleitos com nomeados fragiliza as instituições autonómicas e ofusca de forma irresponsável a legitimidade dos eleitos.”

E disse mais: “Não podemos, por um lado, reclamar a defesa da autonomia como uma prioridade coletiva e uma obrigação da classe política e por outro ter procedimentos que vão exatamente em sentido oposto, contra essa alegada predisposição autonomista.”

Tranquada Gomes falou na recente aprovação, por parte do Governo da República, do novo Hospital da Madeira, considerando que “não podemos ter, como entendimento, que essa decisão seja  “uma dádiva ou benesse da República, mas sim como uma obrigação de assegurar saúde adequada à nossa população”.

Deixa a mensagem que convém “ter presente que a comparticipação regional neste investimento é de montante bem mais elevado do que o da República. A comparticipação nacional, que será paga faseadamente, de acordo com o andamento da obra, refere-se apenas ao investimento na construção e corresponde apenas a, aproximadamente, 1/3 do que a Região gasta anualmente com o funcionamento da saúde dos madeirenses e porto-santenses, excluindo-se, portanto, as despesas de investimento.
É bom que se tenha a noção do que estamos a falar. Só a saúde custa aos cofres da Região, por ano, 329 milhões de euros. Se adicionarmos a educação, o esforço orçamental facilmente chega aos 700 milhões de euros/ano.”