Susana Prada sensibiliza para interesse e potencial da Área Protegida da Ponta do Pargo

Fotos Luís Rocha

A secretária regional do Ambiente e Recursos Naturais, Susana Prada, fez-se hoje acompanhar dos presidentes das Câmaras Municipais da Calheta e do Porto Moniz, Carlos Teles e Emanuel Câmara, respectivamente, numa visita à Área Protegida da Ponta do Pargo realizada num catamarã, o “Atlantic Pearl”.

O objectivo da visita foi o de sensibilizar entidades municipais, jornalistas e público em geral para a riqueza e o interesse ambiental daquela zona da ilha da Madeira, onde a grandeza do património geológico, inclusive submerso, concorre com a beleza natural e o interesse económico do local.

Conforme sublinhou a governante, aquela área marinha, bem como a costa e as arribas são uma mais-valia natural, cénica e cultural que importa preservar e salvaguardar para as gerações actuais e futuras. Segundo a SRARN, as características da área têm suscitado  grande interesse e crescente procura para actividades com grande potencial socioeconómico. A área possui, afirma-se, um um elevado potencial para actividades como o mergulho, o surf, a observação de vida selvagem, ou o turismo contemplativo.

Por isso é que recentemente se criou a Área Protegida da Ponta do Pargo, que inclui um Parque Natural Marinho constituído por toda a área entre a batimétrica dos 50 metros e os 10 metros acima da linha de costa definida pela amplitude média das marés. Também concorreram para esse facto as características de monumento natural de toda a área de encosta entre a Ribeira do Tristão (N) e Ribeiro Velho (S), entre a linha de base da arriba e a linha de início do desnível orográfico (excluindo os terrenos agrícolas).

É paisagem protegida toda a área de fajãs com terrenos agrícolas, actuais ou históricos, entre a Ribeira do Tristão (N) e Ribeiro Velho (S) – Fajã Nova, Quebrada Nova, Fajã Grande e Fajã Pequena.

Esta nova área será alvo de um Programa Especial de Ordenamento do Território. Criar-se-á ainda uma Comissão Consultiva para contribuir para a gestão, e acompanhar a elaboração e implementação deste Programa.

Susana Prada quer prosseguir a sua política de fomentar o usufruto das reservas naturais, como já se verifica nas Desertas e Selvagens, procurando compatibilizá-lo com os interesses ambientais. Conforme explica, também é criando estes espaços protegidos que é possível, depois, concorrer a apoios específicos da União Europeia para a sua manutenção, estudo e conservação.

As zonas de poios e exploração agrícola que foi construída com grande esforço no passado.

A secretária regional do Ambiente e Recursos Naturais sublinha que nesta área se encontram ainda locais “ainda pristinos de surf e de mergulho”, e bem assim várias comunidades e espécies de peixes como peixe-porco, pargo, sargo, moreia ou besugo.

Existem ainda habitats que estão referidos na Directiva Habitats, bancos de areia permanentemente cobertos por água do mar pouco profundo, enseadas e baías pouco profundas, e, conforme o Funchal Notícias teve oportunidade de testemunhar, interessantes grutas marinhas submersas ou semi-submersas.

Por seu turno, em terra encontram-se diversas espécies de plantas endémicas, constantes na Directiva Habitats, caso das iscas, buxo-da-rocha e cila-da-madeira; há ainda habitats constantes na Directiva Habitats como “Falésias com flora endémica das costas macaronésicas” e “Matos termomediterrânicos pré-desérticos”; locais de nidificação de aves marinhas protegidas, como a cagarra; e locais onde se encontram aves, artrópodes, moluscos e répteis, muitos deles endémicos da Macaronésia.

Ali existe também uma área classificada como IBA (Important Bird and Biodiversity Area), um local de nidificação de francelhos, melros, pintassilgos e pintarroxos. A SRARN aponta ainda a paisagem agrícola das fajãs, considerando-as com elevado interesse cultural, consistindo em palheiros, poios/socalcos e respectivos muros de pedra aparelhada. E de facto, conforme vimos, do mar é impressionante o esforço humano colocado na exploração da agricultura naqueles locais.

Susana Prada destaca ainda o grande interesse da arriba entre a Ponta do Tristão e a Ponta do Pargo de morfologia rectilínea, devido a uma plataforma de abrasão marinha contínua, originada pela acção da ondulação forte.

“Da Ponta do Pargo até ao Porto Moniz, se repararem, é a única arriba rectilínea na Madeira, parece que foi traçada com uma régua”, destacou aos jornalistas.

“Os poios, as fajãs, que são resultantes do desmoronamento da arriba, ou seja, da acumulação dos produtos desses desmoronamentos, foram utilizados no passado para a agricultura”, salientou. Tudo isso mereceu a classificação de paisagem protegida.

Ao longo da supracitada arriba, revela a SRARN, “são visíveis falhas perpendiculares com expressão morfológica recente, mas sem manifestação à superfície do terreno. A partir das fajãs ou mar, são observáveis empilhamentos de escoadas vulcânicas intercaladas com piroclastos, cortados por uma rede filoniana”.

Existem ainda ali Sítios de geodiversidade “Arriba das Achadas da Cruz – teleférico” e “Miradouro do Fio”. Existe uma Zona Especial de Conservação (ZEC – Directiva Habitats; Rede Natura 2000) que visa a conservação in situ das espécies de fauna, flora e habitats mais importantes da União Europeia.

“Qual é o objectivo do Governo Regional ao criar mais áreas protegidas? Primeiro, reconhecer que essas zonas se revestem de valor patrimonial, natural e cultural; e, ao protegê-lo, valorizar a zona. Isto resulta numa valorização da área, que vai atrair visitantes, e dinamizar a economia”, diz Susana Prada. “Sempre, sempre com o princípio de que a protecção da natureza é compatível com a fruição, com a utilização dos espaços. É isso que se deseja. Isso significa que aqui se pode pescar, mas com regras, as definidas na legislação”.

“Estamos convencidos de que a pesca dentro dos limites previstos na legislação contribui para a valorização da natureza. O problema é a exploração exagerada dos recursos.

Questionada pelo FN sobre se existem, efectivamente, meios suficientes para fiscalizar, Susana Prada responde que “temos os nossos, que não são muitos, mas são alguns”, e que se conta com a preciosa colaboração da Marinha Portuguesa.