TAP – a Transportadora Aérea Portuguesa de Bandeira ou simplesmente “take another plane”?

Com pasmo, absolutamente incrédulo e algo exasperado mesmo, li ontem a entrevista que concedeu a um nosso reconhecido semanário lisboeta o novo responsável pelos destinos da nossa suposta companhia aérea de bandeira, um cidadão brasileiro com pouco mais da quarentena recentemente imigrado no nosso país que este ano assumiu a mais alta posição de chefia da TAP, aquela transportadora aérea que foi, desde a sua génese e por longos anos, a nossa companhia aérea de bandeira.

Lamento, mas já não a possa considerar mais como tal, i.e., a nossa transportadora aérea nacional (leia-se: da nossa nação) pois assim não se tem comportado e assumido crescentemente nos últimos anos sobretudo após a sua privatização e, quanto a mim, muito menos o será e se assumirá no próximo futuro enquanto o seu controlo depender efetivamente apenas de cidadãos estrangeiros, ávidos de lucros e de uma política empresarial de mercado expansionista, mas manifestamente pouco interessados e desconhecedores da realidade histórica, cultural, económica e política do nosso país e de todos nós portugueses do Minho e Trás-os-Montes ao Algarve e sem esquecer NUNCA o Portugal insular dos Açores e da Madeira e os seus filhos e habitantes.

Lamentavelmente para todos nós portugueses pouco ou nada tem resultado na prática do facto que no universo acionista da TAP tomem parte o Estado português e um ou outro nosso concidadão, mesmo que com “show” mediático apropriado há algum tempo atrás tenhamos assistido, por parte do governo português, à reversão da venda de uma parte do capital da então companhia nacional, com o consequente reinvestimento (ou encargo?) de todos nós portugueses (porque sim, é nosso o erário português), para que se mantivesse no Estado pelo menos 50% do capital da TAP!

Face ao que temos assistido nos últimos anos, às situações cada vez mais frequentes com que se têm deparado todos quantos para e da Madeira viajam assiduamente e finalmente perante o que ontem li no dito semanário alfacinha das afirmações do cidadão estrangeiro que ora comanda a TAP, posso apenas reputar de teatral e enganadora essa supracitada posição do nosso governo central que na prática é incapaz de produzir os efeitos que deveria em prol da integração, unidade e partilha ou comunhão territorial de toda a nação portuguesa.

De nome próprio estrangeiro de difícil pronúncia entre nós e revelando-se senhor de uma arrogância também além-fronteiras e sem limites, tenho dificuldade em qualificar a soberba do entrevistado de ontem, bem como a forma, ouso afirmar insultuosa, com que repetidamente se referiu nas suas posições a esta ilha que me viu nascer e a alguns dos seus cidadãos e defensores.

Ardilosamente eludindo todos os portugueses que, na sua vasta maioria, desconhecem a realidade dos transportes e respetivos custos de e para a região autónoma da Madeira ou mesmo a forma séria e preocupada que têm demonstrado assumir a maioria dos agentes implicados nomeadamente o governo regional na abordagem e tratamento das questões/limitações reais e legais relacionadas com as condições climatéricas em torno do aeroporto Cristiano Ronaldo com que se confronta e defronta atualmente esta ilha da Madeira e que crescentemente a prejudicam em vários quadrantes da sua vivência quotidiana, limitações essas que em muito condicionam o futuro desta ilha e das suas gentes a não serem tomadas sérias medidas urgentes pelo governo e pelos principais agentes envolvidos, espanta-me e preocupa-me o desplante e a simplicidade com que esse senhor insultou frontalmente a inteligência de todos quantos residem nesta região insular portuguesa ou que a ela se vêm impelidos ou compelidos a visitar ou dela se ausentarem com frequência – e sem possibilidade de programação prévia – ao ousar publicamente invocar os “módicos preços” (SIC) praticados pela sua companhia, preços esses aparentemente fixados num contexto de política velada empresarial com características de cartel!?

Mas que desplante e ousadia falar de preços módicos quando nós residentes na Madeira, cidadãos portugueses com os mesmos deveres, MAS também com os mesmos direitos dos nossos demais concidadãos nacionais, nos deparamos com uma prática de preços de e para o continente português em alta, raramente abaixo dos quatrocentos euros (400 €) per capita e pior ainda em épocas bem precisas durante as quais tradicionalmente se (re)unem as nossas famílias portuguesas durante as quais esses preços disparam para valores acima dos quinhentos e dos seiscentos euros por pessoa tornando irrecuperável, para o viajante residente insular, mais de metade do seu custo dadas as condições ainda em vigor para o subsídio de mobilidade praticado. Isto para não enunciar a frequente inviabilidade da deslocação dessas mesmas pessoas perante semelhantes custos insuportáveis para a maioria do cidadão português comum onde quer que seja residente e mesmo para o estudante residente na região, contrariamente ao que alega o dito senhor.

Ademais, sinceramente estou convicto de que o tal subsídio de mobilidade que necessita de reformulação cabal condigna, deveria aplicar-se não apenas num sentido, a saber residente insular versus restante território nacional continental, mas sim residente em qualquer parte do território nacional versus qualquer parte do território nacional insular e vice-versa.

Tão pouco sei o que dizer perante as infelizes afirmações desse cidadão brasileiro recentemente imigrado entre nós que hoje lidera a TAP quando, provavelmente distorcendo ou mal interpretando as palavras de quem o terá abordado com a questão das estatísticas relativas aos ventos que ultimamente têm assolado o aeroporto madeirense, afirma perentoriamente que, independemente do que resulte das negociações que decorrem no sentido de se analisar e rever a legislação e regulamentos em vigor quanto aos limites atualmente praticados para as aterragens ou descolagens, não permitirá qualquer outra prática legal que eventualmente dela resulte e superiormente manterá na sua empresa – a TAP (?) – as regras, regulamentos e lei que atualmente se aplicam… Ou não foi isso o que pretendeu afirmar???

Onde está o governo e que diz perante semelhante desplante e ousadia? Quem se julga afinal que é esse senhor que, pelos vistos, lidera com unidade de comando e de forma aparentemente ditatorial a TAP?? Estará a agir ele motivado por um qualquer apoio velado menos transparente?

Seja como for, sendo eu um cidadão português de pleno direito e tratando-se a TAP da nossa companhia aérea de bandeira exijo do governo uma ação pública firme perante a atitude manifestada ontem por esse senhor brasileiro que reside atualmente entre nós e deste, uma pública retração da sua posição e um claro e público pedido de desculpas a todos os portugueses, em particular aos que são residentes ou têm uma forte ligação com esta região autónoma. Não pense o senhor que comprará a simpatia, a amizade ou a complacência de todos nós para consigo e as suas políticas pelo facto de ridiculamente referir na sua entrevista de ontem que decidiu mesmo em dada ocasião ter cá realizado uma reunião 8 seja ela de administração, assembleia geral ou o …) na Madeira! Que condescendência para connosco na sua verborreia, senhor Antonoaldo, pelo amor de Deus…retrate-se por favor e peça desculpa aos portugueses ou só me restará aconselhar os meus concidadãos a fazer como eu quando de e para cá viajarem: TAP, Take another Plane!

 

 


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