O Vórtice Eleitoral

 

Meus caros, já cheira a eleições!

De repente parece que há dinheiro para acudir a todas as necessidades, evidenciadas ou não, reais ou fictícias.

O Orçamento paga, respondem eles, não podemos defraudar as nossas gentes e, sobretudo, não podemos dar tiros nos pés. Porque os outros, os que estão do outro lado, também o fazem. E nós, vamos ficar quietos?

Não somos tontos, concluem, do cimo da cátedra.

Na verdade, o que pretendem são votos. E, realmente, os tontos somos nós, que temos votos no bolso e ansiosos por esbanjar.

Até parece que gostamos de ser tontos, de ir a votos de quatro em quatro anos, e sabermos que seremos esquecidos por igual período.

Não estou a apelar para votarmos nos comunistas, pois esses, muitos, provavelmente, irão para a Venezuela, esse país de regime governativo exemplar, para ocupar o lugar dos que desesperadamente emigram.

Estou apenas a pedir maior consciência eleitoral.

Temos ou não a consciência de que o dinheiro e as benesses que nos prometem fazem parte do reino da fantasia?

Mas não parece, porque vamos a votos nos mesmos.

Meu caro leitor, diga-me o nome de um Estadista que conhece e que esteja no ativo.

Pois, já viu como é difícil?!

Pior. Acredite que temos políticos no ativo que não sabem sequer qual é o papel do Estadista e porque escasseiam nos dias de hoje.

A Democracia é, na verdade, a forma organizacional menos imperfeita para assegurar a governação. Mas não significa que sejamos compelidos a ir a votos sempre da mesma maneira e com resignação.

Voltemos atrás, por favor, a esta nossa reflexão sobre o clima atual onde parece que existe dinheiro para acudir a todos.

Desconfie.

Na verdade, estamos tão depauperados como antes, não, piores, porque eles agora estão a gastar de novo à tripa forra.

Não leu que agora prometeram pagar a uma empresa até 15 milhões de euros na renegociação dos custos da dívida pública. Mas eles não sabem fazer essa renegociação? Estão lá para quê? É que do outro lado está o Estado Português!

Acredite meu Caro, é fácil fazer as contas da nossa desgovernação e concluir como estamos falidos.

Mas isso são contas de um outro rosário, exatamente, o rosário pós-eleitoral.

Entretanto, faça como a cigarra e esqueça o Jean de La Fontaine,

Mas não diga que não avisei.

 

 

 

 


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