Navio ao fundo nas águas próximas ao Cabo Girão

“Navio ao fundo”. A expressão tão característica do popular jogo da “batalha naval” aplica-se na perfeição ao que decorreu hoje ao largo do Cabo Girão, com o afundamento da corveta da Marinha Portuguesa “Afonso Cerqueira” a ser dinamitada e afundada, numa operação coordenada pela Marinha e assistida por numerosas entidades e jornalistas de bordo do navio-patrulha “Mondego”, a uma distância segura.

Aliás, a área, no mar e em terra, foi interditada de modo a que a operação não acarretasse qualquer risco quer para as populações, quer para a navegação. A “Afonso Cerqueira” foi cuidadosamente preparada para o afundamento pela Marinha Portuguesa, cujos mergulhadores se certificaram, depois do afundamento, de que o navio se tinha posicionado como previsto, de forma a criar um recife artificial naquela área.

No Porto Santo já foram afundados dois navios, o “Madeirense” e a corveta “Pereira d’Eça”, criando recifes artificiais que não só criam novos refúgios para a vida marinha, como geram pontos de interesse turístico para os mergulhadores que visitam a ilha e gostam de visitar estes locais. Agora, com o primeiro afundamento de um navio na Madeira, espera-se criar naquela área mais um foco de atracção para os amantes das actividades subaquáticas.

A detonação decorreu por volta das três horas e o vaso de guerra entretanto desactivado afundou-se rapidamente, não demorando a desaparecer de vista. Agora, quem o quiser ver vai mesmo ter de mergulhar. Um desafio aliciante que pode ser concretizado através do recurso a uma das diversas escolas de mergulho existentes na Região, após formação e certificação correspondente.

A bordo do NRP Mondego, o chefe do Executivo madeirense, Miguel Albuquerque, congratulou-se com este novo afundamento, dizendo que é o segundo que se regista no seu mandato e que corresponde ao programa de Governo, nomeadamente a criação de um roteiro de recifes artificiais que incentivem o mergulho, actividade que, afiançou, “tem crescido exponencialmente na Região como pólo de atractividade do turismo”.

“Temos um mar maravilhoso e temos que aproveitar estas oportunidade (…) A nossa ideia é, depois deste afundamento, proceder a mais dois, nomeadamente de uma fragata e de um navio-patrulha que esteve muitos anos ao serviço, o “Cacine”, declarou.

Conforme adiantou Albuquerque, neste momento estão a considerar-se as possíveis localizações para os outros dois navios. Pensa-se que poderão ser afundados na zona leste da Madeira, em Santa Cruz e Machico. Dentro de um ano, disse o governante, deverão estar concluídos mais este dois afundamentos.