Médicos de urgência exaustos, mal pagos e desanimados

Exaustos, mal pagos e cada vez mais desmotivados. É este o sentimento que domina os médicos que fazem serviço de urgência no Hospital Dr.º Nélio Mendonça, transmitido, com evidente revolta, ao FN, porque as melhorias não são visíveis no horizonte

As críticas partem mesmo de médicos com alguns anos de experiência hospitalar que dizem ter de prestar serviço de urgência, pela módica quantia de 50 a 60 euros, por 24 horas de trabalho contínuo, ao fim de semana.

Não é, pois, por acaso que o serviço conta com o número mínimo de profissionais, justamente porque poucos são aqueles que aceitam fazer urgência com um quadro remuneratório que em nada dignifica a profissão e os anos de estudos e formação exigidos a um médico.

A forma encontrada de cativar os médicos mais novos para uma tarefa cada vez menos aliciante como a de fazer urgência está também a provocar as críticas e a revolta dos profissionais mais experientes, transmitidas ao FN nestes termos: “É completamente injusto e não resolve o problema de forma estrutural e equilibrada. Desempenhar o mesmo tipo de funções e haver disparidades de pagamentos, é inaceitável. Os mais novos, com muito menos responsabilidades que nós,  ganhar mais do dobro em termos de ordenado base e nas horas extra da urgência – fazem muitas devido à escassez de pessoal disponível – não parece ser correto nem a solução para um problema que se arrasta no tempo e sem soluções sólidas e justas”.

O FN procurou auscultar a posição da diretora do serviço de urgência do Sesaram mas não obteve resposta.

A desmotivação da classe médica tende a ser hoje um problema até de dimensão nacional, com sucessivos protestos por parte das organizações sindicais, pelos vistos em vão. Médicos, enfermeiros e até pessoal auxiliar consideram-se mal remunerados por força das restrições orçamentais, além de terem de desempenhar a profissão, por vezes,  sem o material necessário ao seu dispor.