Preços das viagens aéreas para o Natal e Fim do Ano já “escaldam” em agosto

TAP novo avião
O novo avião A32oneo que hoje chegou para a TAP.
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Os preços na easyjet, dita “low cost”, também são elevados para o Natal e final do ano.

Muitos ainda nem receberam o reembolso das viagens do Verão e já os preços das passagens aéreas para o Natal e Fim do Ano estão como as temperaturas: escaldantes. Um problema que parece eternizar-se, não obstante todos os contactos entre Governos no sentido de solucionar duas grandes  “pedras no sapato” com a operação aérea Funchal/Lisboa/Funchal : o sistema de reembolso e o preço das passagens. Nem uma nem outra estão resolvidas.

As agências de viagens têm dificuldade em satisfazer os clientes que, já por esta altura, pensam nos voos para o Natal, conscientes que, neste enquadramento, que já vem há algum tempo, quanto mais cedo melhor, pelo preço e pelos lugares disponíveis. Só que até poder não ser bem assim. São estudantes ou outros madeirenses que, trabalhando fora, pretendem passar a época natalícia com a família. Ou ainda os que perspetivam vir passar o final do ano na Região, enquanto cartaz turístico de excelência, mas que já se deparam com preços altíssimos, com a agravante de, nesses casos, sem o estatuto de residente, não implicar reembolso. O que ainda é pior e faz começar a questionar o destino Madeira face aos mercados concorrentes.

De facto, as agências estão sem soluções, até porque a TAP, neste momento, tem poucos voos disponíveis para dias considerados chave relativamente ao previsível fluxo de passageiros para essa época alta. São obrigadas, forçosamente, a trabalhar com o que está disponível, sendo que, por exemplo, numa breve consulta, em sede de agência ou em qualquer computador, tablet ou telemóvel, facilmente verificamos que no dia 1 de janeiro, nos voos da noite, bem como no dia 2 de janeiro, todo o dia, por exemplo, não há lugares em classe Económica, na TAP, para o trajeto Funchal/Lisboa, sendo apenas possível em Executiva ou através do Porto. Em Executiva custa 417,09 euros. Através do Porto, mais ou menos o mesmo.

Se fizermos uma consulta, aplicável a uma qualquer situação de um madeirense que pretenda passar o Natal e final de ano na Região, seja estudante ou não, constata-se que, a título de exemplo, com um Lisboa-Funchal a 21 de dezembro e regresso a 2 de janeiro, sem mala de porão no primeiro trajeto e em Executiva, já com possibilidade de mala de porão, no trajeto de regresso, o custo ronda os 697,18 euros. A alternativa é ir dia 1 de janeiro, nas mesmas condições, sempre sem mala de porão, mas nos voos até às 14.10 horas, com custo total de 524,18 euros. À noite do dia 1 só em Executiva e custa 417,09.

Mantendo Lisboa-Funchal a 21 de dezembro, uma sexta-feira, com ida a 3 de janeiro, precisamente para “fugir” a esta falta de opções já verificadas nesta análise em final de agosto, temos que os valores rondam os 584.18 euros.

No caso da easyjet, sempre num contexto de ida a 21/12 e regresso a Lisboa a 2 de janeiro, temos que o preço anda à volta dos 564.72 euros, também sem mala, que tem um custo de 38.02 euros por trajeto. Se a vinda for a 22 de dezembro e o regresso a 2 de janeiro, o custo aumenta, passa a 625.32 euros, mas uma vinda a 21 de dezembro e regresso a 3 de janeiro custa menos, 496.04 euros. O regresso a 1 de janeiro implica um custo total de 578.36 euros.

Como se pode verificar, o problema mantém-se, admitindo-se, no entanto, como reterem os vários contactos mantidos com algumas agências, que a TAP venha a abrir maios voos para os períodos de maior tráfego, sendo por isso admissível que cenário para o dia 2, que neste momento não tem lugares disponíveis em Económica, no percurso Funchal-Lisboa, possa vir a ser alterado com o decorrer do tempo, ainda que exista uma situação inultrapassável, para já, que é a ciuscunstância de ser necessário pagar perto de 600 euros por uma viagem Lisboa/Funchal/Lisboa, no Natal e Final de ano, para depois disso receber o reembolso correspondente ao benefício do residente.

Para os outros, os turistas, o cartaz de Natal e Fim do Ano é “corrosivo” do ponto de vista das finanças familiares. Uma família de quatro pessoas, dois adultos e duas crianças, vai desembolsar, na TAP, com vinda a 21 de dezembro e ida a 3 de janeiro, uma quantia total de 1.846,72 euros. Não há malas de porão. Mas se estivermos a falar de crianças com mais de 11 anos, já entram na classe de adultos, o custo fica em 2096,72 euros. Se for por um período mais curto, apenas para o final do ano, com vinda a 27 e regresso a 1 de janeiro, temos que o custo é de 1.856,72 euros, mas o voo Funchal/Lisboa é às 5.10 da manhã.

Se a opção for pela companhia easyjet, quatro  adultos ou dois adultos e duas crianças é o mesmo preço. Lisboa-Funchal a 21 de dezembro e Funchal-Lisboa a 3 de janeiro, custa 1949,92 euros. Se for por um período mais curto, apenas para o final de ano, com Lisboa-Funchal a 27 de dezembro e Funchal-Lisboa a 1 de janeiro, o custo dos quatro passageiros aponta para os 1.706,04.

Esta é a realidade, hoje, mas fontes por nós contactadas, junto de agências de viagens, apontam que “apesar de ser este o figurino atual, em que os preços já estão elevados  e com poucas viagens abaixo dos 400 euros, montante limite para beneficiar do subsídio de mobilidade sem envolver um custo além dos 86 euros para residente e 65 euros para estudante, prevê-se que a situação venha a ser alterada nos próximos meses e acabem por surgir no mercado viagens mais baratas e dentro daquele limite dos 400 euros, sendo que a TAP deverá ainda disponibilizar mais aviões para a época alta, cujas passagens são, por norma, muito mais cara. “Ainda para mais, com esta fórmula sde subsídio, os preços subiram e isto é um negócio, é a lei da oferta e da procura”, referem várias agências.

O Funchal Notícias procurou abordar a TAP sobre o assunto, enviando um mail para o departamento de comunicação da empresa, mas até ao momento não foi possível obter qualquer declaração. A todo o momento, se a transportadora assim o entender, poderemos dar conhecimento da posição da TAP sobre este assunto.

Recorde-se que a problemática das viagens aéreas tem sido, este ano, particularmente debatida com frequência. Em cima da mesa, têm estado várias questões que são relevantes para um a Região que depende de um eficaz transporte aéreo, além da componente turística que é importante na Madeira. Os ventos, os preços das viagens, o subsídio de mobilidade e o respetivo modelo, bem como os cancelamentos da TAP por razões operacionais, tudo isso tem colocado o transporte aéreo no centro da discussão do debate político e de um aumento da tensão entre os Governos Regional e da República.

Ainda em matéria que se prende com o Natal e fim do ano, a secretaria de Pedro Calado informou os madeirenses, através de uma notícia colocada no JM, que não há acordo com a TAP para o transporte de estudantes, em avião especial, promovido pelo Governo Regional, a exemplo do que aconteceu no final do ano de 2017 e na Páscoa. O Executivo diz, na mesma informação, que está a preparar alternativa.