PSD acusa Cafôfo de ser um presidente em part-time e pede-lhe que “pare a matança de árvores”

Fotos: Rui Marote

No âmbito dos discursos das cerimónias comemorativas do Dia da Cidade do Funchal, que hoje se comemoram, o PSD sublinhou, pela voz do deputado municipal João Paulo Marques, a visão diferente que tem da coligação Confiança sobre aquilo de que a cidade necessita, ao assinalar a venerável marca de 510 anos.

“(…) sabemos, de antemão, que temos uma visão diferente para a cidade, que defendemos um rumo alternativo para o Funchal. Um rumo com mais investimento na cidade e menos impostos para as pessoas. Com mais limpeza e aprumo nas ruas e com menos publicidade nos jornais”, frisou.  Apesar do tom crítico, sublinhou a vontade de “participar, de forma construtiva, na governação do Funchal, aprovando o que for positivo para a cidade”.

“Temo-lo feito e continuaremos a fazê-lo na Câmara e na Assembleia Municipal. Mas a missão que nos confiaram os funchalenses obriga-nos a uma fiscalização imparcial e constante da governação da cidade. Custe o que custar, doa a quem doer. Disse-o há um ano atrás e volto a dizê-lo: não contem com o PSD para passar um cheque em branco a esta vereação. Não seremos nós a remediar o que esta Câmara não consegue resolver. Se os funchalenses garantiram a esta Câmara condições absolutas de governabilidade, o mínimo que V. Exas. podem fazer é governar e dar um rumo à cidade do Funchal. E se em 2013, o rumo da Câmara era traçado em função do passado, a partir de 2017, ele simplesmente deixou de existir. Hoje o Funchal navega à vista, sem destino certo, pois o seu Presidente, apesar de presente, há muito que abandonou o leme da cidade”, acusou.

João Paulo Marques enalteceu “a vontade em reerguer-se sempre que a Natureza nos relembra da nossa fragilidade e a coragem de reinventar-se na esperança de um futuro melhor”. Os funchalenses, disse, “são gente boa e trabalhadora. Gente resiliente e indomável. Todos, e cada um de nós, orgulhosos da sua cidade”.

O social-democrata criticou o facto de, no entender do seu partido, a cidade ser agora gerida “ao ritmo dos avanços e recuos de quem não pode, de quem não quer comprometer-se com nada. Vejamos o caso da taxa turística para o Funchal, anunciada pela Câmara em Março como uma medida fundamental para a estratégia de turismo para a cidade. Apesar do anúncio, a autarquia não falou previamente com os parceiros, não sabia qual seria o valor da taxa, nem sequer a receita que poderia gerar. Passado um mês, a taxa passava de fundamental a adiada para o final de 2019”.

O mesmo destino, criticou, teria a polícia municipal. “Anunciada em 2016, como a resposta para a ocupação indevida de espaços públicos, em 2018, continuamos sem saber quantos elementos terá, quanto custará ou sequer quem a irá pagar. Curiosamente, a mesma Câmara que estava preocupada com os espaços públicos, anunciou que levará entre 2 a 5 anos a aplicar o seu regulamento de esplanadas. Por fim, e porventura mais grave, é a incapacidade desta Câmara em construir a ETAR do Funchal.

Passados mais de 3 anos e esgotados todos os prazos impostos pela União Europeia, começa a formar-se uma nuvem negra sobre a cidade do Funchal. A mesma nuvem negra que chegou a Matosinhos, acompanhada de uma multa de 3 milhões de euros e de uma sanção diária de 8 mil euros até a conclusão da obra. Quando a multa chegar ao Funchal, saberemos muito bem a quem pedir a conta”, prometeu.

Para o PSD, o Funchal “é hoje uma cidade em suspenso. Parada num tempo que podia ser o seu, mas que não é porque está refém de uma estratégia que coloca a carreira política de uma pessoa à frente dos interesses da cidade. Sejamos muito claros. O Funchal é uma cidade sem rumo, porque tem um presidente em part-time”, afiançou.

Dirigindo-se ao edil Paulo Cafôfo, acusou-o de já não ter o seu coração com o Funchal, desafiando-o a “fazer um favor à cidade” e “seguir com a sua vida”.

“Mas antes de o fazer, peço-lhe que tenha a coragem de tomar duas decisões. Primeira, devolva a dignidade à freguesia e a todas as pessoas que vivem no Monte. Aquilo que as pessoas esperam de nós, não é que estejamos sempre de acordo, mas que, no final do dia, prevaleça sempre o interesse daqueles que representamos. Ora, não é do interesse de ninguém que o Monte esteja desde Março sem receber um cêntimo da Câmara. Sr. Presidente, está nas suas mãos, assine o contrato e ajude quem vive no Monte”, apelou.

Por outro lado, pediu-llhe que “ponha fim à matança de árvores inocentes na cidade do Funchal. Cada árvore injustamente derrubada, é um atentado à memória que hoje celebramos”.