
O secretário regional dos Equipamentos e Infraestruturas, Amilcar Gonçalves, representando o chefe do Executivo madeirense, participou em Bruxelas, nos dias de ontem e hoje, numa série de reuniões organizadas no âmbito da Conferência de Presidentes das Regiões Ultraperiféricas (CP RUP), que este ano é presidida por Canárias.
No encontro com o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, os presidentes das diferentes Regiões Ultraperiféricas reivindicaram os interesses específicos destas Regiões. Esta foi a primeira reacção política às propostas da Comissão Europeia para o Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027, bem como aos projectos de regulamentos sectoriais das diferentes políticas europeias, refere uma nota governamental.
Já no que concerne à Política de Coesão, a Conferência de Presidentes das RUP defendeu que, quanto à vertente de crescimento e desenvolvimento regional, esta deve manter o orçamento do período anterior, o que permitiria continuar a principal política de investimento e de criação de emprego nestas Regiões.
Na sua intervenção, a Madeira fez questão de sublinhar a noção de que “as Regiões Ultraperiféricas (RUP) constituem uma realidade regional europeia única, de facto e de direito”. Amilcar Gonçalves sublinhou que, “apesar dos constrangimentos estruturais permanentes, as nossas regiões dispõem também de múltiplos trunfos e conferem um valor acrescentado inegável à União Europeia em numerosos domínios”.
“Efectivamente, as RUP dão à Europa uma dimensão oceânica e internacional forte num momento em que a União pretende afirmar-se no mundo. Por outro lado, as RUP contribuem para a consolidação e promoção dos valores europeus e do papel da União nas suas fronteiras externas”, acrescentou.
O secretário regional dos Equipamentos e Infraestruturas apelou para que “o Parlamento Europeu mantenha o empenho político que sempre demonstrou na defesa da ultraperiferia”. Destacou igualmente que “o Governo Regional da Madeira sempre rejeitou e rejeitará qualquer visão redutora da Política de Coesão, defendendo que os recursos afectos àquela política no próximo QFP devem, no mínimo, ser mantidos aos níveis do actual período”.
Acresce a esta situação o facto de, ao nível das taxas de co-financiamento, ser também proposto um aumento da comparticipação nacional, com o qual o Governo da RAM não concorda.
A Conferência manifestou-se especialmente contra o corte anunciado no Fundo de Coesão, muito superior ao dos outros fundos, o que pode comprometer o cumprimento dos objectivos propostos.
Embora se tenha congratulado com a manutenção de uma dotação adicional FEDER para as RUP, a Conferência de Presidentes lamentou que este montante não tenha sido aumentado, pois este é o principal instrumento de resposta aos efeitos decorrentes das condicionantes estruturais e permanentes das regiões ultraperiféricas.
Os diversos representantes da Regiões Ultraperiféricas que participaram neste encontro de alto nível com o presidente do Parlamento Europeu, defenderam ainda a manutenção da taxa de co-financiamento tradicional para as RUP na Política de Coesão que tem sido os 85%.
Por outro lado, foi sublinhado que em relação à Política Agrícola Comum, “apesar das RUP se caracterizarem por um importante conjunto de handicaps graves e permanentes que condicionam irrefutavelmente o seu desenvolvimento, a Comissão Europeia opta por reduzir a dotação orçamental dos Programas POSEI, quando, pelo contrário, existe a necessidade de ser reforçada, de modo a que estas possam enfrentar os novos desafios que lhes são colocados”.
“O Governo Regional da Madeira, conjuntamente com todas as RUP, não pode aceitar esta posição”, reiterou o governante madeirense.
Neste encontro, Amilcar Gonçalves teve ainda a oportunidade de anunciar que, “conscientes do contexto no qual vão decorrer estas negociações do quadro financeiro plurianual pós-2020, o Governo Regional da Madeira apela para uma aplicação efectiva e plena do artigo 349.º do Tratado de Funcionamento da União Europeia, de modo a permitir que as RUP alcancem uma verdadeira igualdade de oportunidades no seio da EU”.
“Reiteramos a importância para as nossas regiões de uma política de coesão ambiciosa, para um acesso ao mercado único europeu efectivo e de uma PAC competitiva, numa economia europeia cada vez mais aberta e marcada pela existência de Acordos de Comércio Livre, que ideologicamente não rejeitamos, mas que afectarão necessariamente a nossa competitividade, atendendo à reduzida dimensão dos nossos mercados” complementou.
“Para além deste encontro, realizaram-se reuniões com o presidente do Comité das Regiões, Karl Lambertz e com o director geral da DG REGIO, Marc Lemaître, com os quais foi possível debater as perspectivas das Regiões Ultraperiféricas quanto às propostas que estão em cima da mesa e reafirmar as posições em defesa da Madeira para o período 2021-2027”, conclui a nota de imprensa.
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