(Re)Descobrimento do Porto Santo – 600 anos

Descoberto em 1 julho de 1418, data registada para o descobrimento da Ilha Dourada, foi este o porto que salvou os mareantes de uma grande tempestade – PORTO SANTO. Nos dias de hoje, é um porto que guarda um povo guerreiro que batalha contra as condições adversas, quer sociais quer no que respeita às ligações para o exterior da mesma. O testemunho da valentia foi passado para aqueles que passam o ano interior numa ilha que tem poucas “pontes” de ligação , aliás, existem pontes que são quebradas a cada ano que passa, o que faz dos residentes uns autênticos “guerreiros”, tal como João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira.

São 600 anos de dupla insularidade, o que torna  esta cerimónia mais “destacada” e mais “gloriosa” para todos aqueles que, em terreno árido e quase infértil criaram raízes, deixando aos seus filhos o mesmo testemunho, a mesma força e a mesma garra de continuar a ganhar uma estabilidade que tantas vezes é desestabilizada ou posta em causa.
Tal como as ondas que foram embatendo contra o Barco dos dois navegadores, a população enfrenta todos os dias essa mesma tempestade e continuam com a mesma força e a mesma coragem que os dois cavaleiros do Infante tiveram. Continuam a olhar para o seu porto, que para eles continua e será sempre santo, com a mesma  imperturbabilidade dos nossos antepassados e com o desejo de que esta ilha tenha condições de continuidade que tanto anseia e merece.
Que venham outros 600 anos de luta e que, como já dizia José Hermano Saraiva, – este seja sempre considerado o Porto que salva todos os mareantes perdidos. O Porto Santo necessita de ser redescoberto, para que possam ser criadas outras condições que não as que temos passado, neste últimos 600 anos. Fomos e seremos sempre uma terra de encantos.