Envenenamento por rodenticidas

São frequentes os casos de envenenamento acidentais ou criminosos na clínica de animais de companhia.

O uso de rodenticidas é muito comum no dia-a-dia para eliminar ratos e outros roedores indesejados. Por isso são uma forma habitual de envenenamento em cães e gatos quer por ingestão directa do produto ou por caçarem roedores envenenados.  Nestas últimas semanas tenho assistido de urgência vários animais envenenados por rodenticidas.

Os cumarínicos são produtos utilizados no controle de roedores, facilmente obtidos e amplamente utilizados. Após a exposição a esses produtos, ocorre uma coagulopatia, devido à redução dos fatores de coagulação dependentes da vitamina K na circulação. Os principais sinais clínicos reflectem em manifestações de hemorragia, incluindo anemia, hematoma (nódoas negras), melena e hematoquézia (fezes com sangue), hemotórax (acumulação de sangue na cavidade torácica), hifema (sangue na câmara anterior do olho), epistaxe (perda de sangue pelo nariz) e hematúria (urina com sangue).

Também pode-se observar sinais dependentes de hemorragia tais como fraqueza, ataxia (descoordenação), cólica e dispneia (dificuldade para respirar). Depressão e anorexia ocorrem em todas as espécies, mesmo antes de ocorrer sangramento. Pode ocorrer também sangramento interno sem hemorragia externa e nem sangramento de subcutâneo, o que constitui num desafio de diagnóstico. Ainda, podem apresentar andar cambaleante ou ataxia, articulação tumefeitas, moles e dolorosas, hematomas extensos, arritmias e icterícia.

A ocorrência de envenenamento é prevalente durante todo o ano, pois varia consoante a altura em que os produtos rodenticidas são mais usados.

Uma única dose elevada ou pequena doses repetidas podem ocasionar o aparecimento de síndrome hemorrágica.

O diagnóstico é feito com base na história de uso de rodenticidas cumarínicos na zona frequentada pelo animal, através de análises sanguíneas e também de radiografia e/ou ecografia.

O tratamento é feito tentando que o animal elimine o produto ingerido e pela administração do antídoto por períodos mais ou menos prolongados. Em casos mais graves pode ser necessária uma transfusão de sangue.

Para prevenir este tipo de intoxicações deve evitar-se o uso destes rodenticidas em zonas frequentadas por animais e não deixar as embalagens ao seu alcance. No caso dos gatos deve evitar-se que apanhem ratos uma vez que além de transmitirem doenças podem estar envenenados.

*Médica na Clínica Veterinária Santa Teresinha