Boas Notícias na  Península da Coreia

1- Entre 1950 a 1953, no decurso da “Guerra Fria,” foi desencadeada na Península da Coreia uma encarniçada guerra civil entre as forças comunistas que predominavam na Coreia do Norte, e as hostes capitalistas que preponderavam na Coreia do Sul.

Nessas circunstâncias, o imperialismo dos E U A e os seus aliados protegidos pela ONU, intervieram em ajuda à Coreia do Sul, que já estava a ser invadida e  ocupada pelas tropas contrárias, enquanto, por sua vez, a China interveio a favor do Norte, com a União Soviética dando-lhe apoio logístico e político.

Então, o conflito depressa escalou para uma guerra aberta entre as duas facções, desenrolando-se uma violenta luta, sobretudo aérea, tendo os norte-americanos submetido as cidades da Coreia do Norte a constantes e demolidores bombardeamentos, enquanto nos céus da Península da Coreia aconteciam duras batalhas, onde muitas dezenas de aviões das duas partes foram abatidos.

A luta arrastou-se por três anos, até que em 27 de Junho de 1953, foi finalmente acordado um cessar fogo entre os litigantes, a troca de prisioneiros, e o estabelecimento duma zona desmilitarizada a separar o Norte do Sul; embora nunca tivesse sido possível assinar um Contrato de Paz entra as partes envolvidas, o que tem determinado que as duas facções continuem tecnicamente em guerra, com constantes e perigosas provocações e ameaças, e os  seus governos vivendo  num ambiente de permanente animosidade e conflito.

 

2- Desde então, com desprezo pela segurança internacional e pelo povo coreano, o imperialismo dos EUA tudo tem feito para impedir a reunificação da Coreia, alimentando um perigoso foco de tensão e de guerra, instalando na Coreia do Sul poderosas forças militares, incluindo armas nucleares, e promovendo com regularidade gigantescas manobras aéreas e navais de provocação à Coreia do Norte, que por sua vez responde, perigosamente, com a promoção do desenvolvimento do seu grande poderio bélico e nuclear.

De notar, porém, que ao contrário do que tem sido muito propalado, o que verdadeiramente tem estado em jogo no clima de guerra e de boicote à assinatura dum acordo de Paz e de colaboração na Península da Coreia, nada tem a ver com o real problema da proliferação nuclear, mas deve-se, sim,  à estratégia de hegemonia mundial dos E U A, de que Trump é um aventureiro interprete, submisso à doutrina dita de “contenção do comunismo,” dirigida contra a Rússia e a República Popular da China.

Deste modo,  a política agressiva dos EUA e a imposição dum autoritarismo militar em Seul, deve-se  às enormes pressões do seu gigantesco sector do negócio de armas, bem patente no apoio ao militarismo japonês e à militarização imperialista do Pacífico, e também se deve, sobretudo, à crescente confrontação norte-americana contra o crescente papel económico e político da China no plano regional e mundial.

 

3- Nestas circunstâncias, o diálogo que recentemente se abriu entre a Coreia do Norte e a do Sul, cujo governo não acompanha a política belicista de Tump, e o simples facto das delegações dos dois países se terem encontrado e sentado à mesa, à revelia e contra a opinião norte-americana, decidindo prosseguir conversações sobre questões que vão muito além das Olimpíadas de Inverno, constitui uma derrota para o imperialismo dos  EUA, e um acontecimento político de grande relevância internacional.

E para além da esperança de construção dum caminho de paz, reunificação e colaboração, entre o Norte e o Sul da Coreia, uma outra lição se retira destes acontecimentos, é a de que apesar da correlação de forças internacional ainda ser desfavorável às forças progressistas, como consequência da derrota do campo socialista na U R S S e nos países do Leste, é possível resistir às políticas reacionárias do sistema capitalista ainda dominante, e impor-lhes recuos e derrotas de grande importância, mesmo na América Latina onde, presentemente, o imperialismo dispõe de grandes meios económicos e militares, na sua escalada para recuperar posições perdidas  naquele Continente, em consequência da luta dos trabalhadores e dos povos.