Nelson Veríssimo fala na quinta-feira no MASF sobre a obra do Pe. Pita Ferreira

Nelson Verissímo
Foto: Celso Caires

O conhecido historiador Nelson Veríssimo será o protagonista de uma conferência que se realizará, no próximo dia 22 do corrente mês, no Museu de Arte Sacra do Funchal (MASF). A conferência, que se realiza às 15h30, abordará “O contributo do Padre Pita Ferreira para a historiografia madeirense”.

Esta conferência que se realizará na próxima quinta-feira será a última de um conjunto de quatro palestras programadas pelo Museu quando da exposição intitulada “500 Anos da Dedicação da Sé do Funchal. Fé, Arte e Património. Um olhar sobre a obra do Padre Pita Ferreira”. O objectivo destas iniciativas é o de homenagear e aprofundar o conhecimento sobre a figura do grande investigador da história e dos bens artísticos da Diocese.

Nelson Veríssimo é um investigador ligado à Faculdade de Ciências Sociais da Universidade da Madeira e Centro de História d’Aquém e d’Além-Mar e com vasta obra publicada, versando temas da história e da cultura madeirense.

“Nos anos cinquenta do século passado e inícios da década seguinte, o padre Pita Ferreira (1912-1963) publicou diversos estudos sobre a História da Madeira, em especial sobre o património cultural e a problemática do descobrimento e povoamento do arquipélago da Madeira. Procurou sempre fundamentar as suas hipóteses e conclusões em fontes documentais impressas e manuscritas credíveis, profusamente transcritas. Algumas das suas opiniões vieram, porém, a ser fortemente contestadas, nomeadamente pelo visconde do Porto da Cruz (1890-1962) e pelo padre Eduardo Clemente Nunes Pereira (1887-1976), que chegaram a utilizar argumentos políticos para denegrir o seu labor historiográfico. Contudo, Pita Ferreira contra-argumentou vigorosamente, valorizando a sua investigação e o rigor documental que o animava. Na convicção de que muito havia a rever na historiografia madeirense à luz dos documentos, sugeria aos seus detractores que seguissem outro rumo, pois, no seu entender, a crítica moderna «exige que se consultem e citem as fontes, que se tomem precauções contra aqueles que escreveram sem indicar os documentos de que deitaram a mão, que se transcrevam, muitas vezes na íntegra, os documentos citados, que as hipóteses sejam fundadas em factos verdadeiros, que as conclusões sejam lógicas […]» (Ferreira, 1959, p. XIV)”, relembra o MASF num comunicado alusivo a esta conferência.