Albuquerque salienta relevância cultural e turística do novo Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicentes

Fotos: Rui Marote

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, realizou hoje uma visita às obras que decorrem no histórico edifício do Museu Vicentes. Na ocasião, o chefe do Executivo referiu que estes trabalhos eram há muito tempo ansiados e eram uma expectativa legítima da requalificação “do nosso património regional”.

Albuquerque, que foi acompanhado nesta visita pela secretária regional do Turismo e Cultura, Paula Cabaço, pelo secretário regional dos Equipamentos e Infraestruturas, Amílcar Gonçalves, pela directora regional de Cultura, Teresa Brazão, e pelo director de serviços de Museus, Francisco Clode de Sousa, disse que esta obra, um investimento de quase um milhão de euros, estará concluída em Junho. Naquele edifício ficarão, adiantou, albergadas as grandes colecções de fotografia da Madeira. O espaço renovado compreenderá locais de exposição permanente, caso do antigo estúdio Vicentes, e de exposição temporária. Está prevista também uma zona de cafetaria, além de uma loja de artigos próprios do museu.

O edifício, datado do início do século XX, “será totalmente restaurado, quer do ponto de vista da sua estrutura, quer do interior”. Albuquerque vislumbra para ali grandes potencialidades turísticas, além da valorização da nossa memória histórica e cultura, “designadamente do primeiro grande estúdio de fotografia em Portugal”.

Francisco Clode de Sousa, por seu turno, esclareceu que, após o término da obra, em Junho, algum tempo ainda passará, empregue na musealização do espaço e na preparação dos conteúdos, que já está a ser tratada.

O novo “Museu da Fotografia da Madeira – Atelier Vicentes” exibirá todas as funcionalidades de um atelier fotográfico do séc. XIX, juntando-se a isso a história do próprio atelier da família Vicentes. Além da colecção desta família, há ainda as colecções dos Perestrellos, da Foto Figueiras, a colecção de Joaquim Augusto de Sousa, de Anderson, da Foto Sol… “Há muitas casas de fotografia, algumas delas também muitíssimo importantes, não só em quantidade mas qualidade, e que estarão integradas no discurso expositivo (…)”.

Na área da exposição temporária, referiu este responsável, pretende-se apresentar trabalhos contemporâneos de fotografia, ou mesmo de outro tipo de suportes visuais. O Museu, em si, pretende dar uma panorâmica sobre a história da fotografia da Madeira. Pretende-se ainda fazer rodar, neste museu, o espólio de quase milhão e meio de negativos fotográficos existentes. “Não se pode esquecer que já há quase três mil e quinhentos negativos disponíveis na plataforma do Arquivo Regional”, salientou.

Francisco Clode considerou que pelo menos seis meses serão necessários para proceder à definitiva instalação e abertura ao público do Museu; portanto, só lá para o final do ano, ou início do próximo, esta instituição museológica estará operacional.

O Instituto de Desenvolvimento Regional, disse Clode de Sousa, fez uma candidatura a investimento de cerca de 700 mil euros para todo o processo da musealização, incluindo conservação, restauro, técnicos da especialidade, edições e estudos sobre o pioneirismo da fotografia na Madeira. “A Madeira esteve na rota do século XIX, do “Grand Tour” europeu, e houve muita gente que fez fotografia cá, salientou”. O preço da entrada, disse Francisco Clode de Sousa, custará certamente “menos de metade de um bilhete de cinema”.

Entretanto, recorde-se que, conforme o Funchal Notícias já deu conta, estas obras de recuperação já deram que falar. Nomeadamente, o partido JPP pediu à Direcção Regional de Cultura pareceres técnicos, de acordo com a lei de bases do património cultural (Lei 107/2001, de 8 de Setembro), sobre as obras executadas no imóvel classificado de Interesse Público – Museu Vicentes, denominada de “Execução da Empreitada de Reabilitação do Edifício Museu Photografia Vicentes”. Paula Cabaço, aliás, foi interpelada na Assembleia Legislativa da Madeira pelo deputado Élvio Sousa sobre as alterações de fachada e cércea, principalmente quanto à manutenção das janelas do lado do edifício fronteiro à Rua da Carreira.