Demissão em bloco dos movimentos da Paróquia do Monte com críticas ao Bispo pelo afastamento do padre Giselo, última missa é hoje

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Os movimentos da Paróquia do Monte tomam posição pública contra decisão do Bispo do Funchal de afastar o padre Giselo. Há críticas a D. António Carrilho, cartas e demissões bloco.

Um movimento de paroquianos responsáveis pelos grupos e movimentos de Nossa Senhora do Monte manifestam a sua discordância com a decisão do Bispo do Funchal de afastar o padre Giselo da paróquia do Monte pelo facto do sacerdote ter assumido a paternidade de uma menina. O padre Giselo celebra hoje, pelas 19 horas, a última na sua paróquia. O movimento mandou uma carta ao Bispo e há um abandono, praticamente em bloco, dos movimentos da paróquia.

“O que nos move é Cristo, sempre trabalhamos para a Igreja de Cristo, e assim continuaremos. E é com os olhos postos em Cristo, acreditando na infinita Justiça de um Deus Misericordioso, o nosso Deus, que não podemos compactuar com uma tomada de posição que pune e exclui um sacerdote com vocação pastoral e dedicado à sua paróquia, ao invés de perdoar e acolher. Um sacerdote que, pelo seu caráter íntegro e pela sua honestidade assumiu a paternidade de uma criança e foi, nos últimos meses, julgado na praça pública”, refere o movimento, em documento assinado por Lobélia Rebolo, deixando acusações à Diocese do Funchal, a quem atribuem esta atitude de julgamento público através da comunicação social.

O movimento lembra que o padre Giselo esteve ao lado da população no 20 de fevereiro, na calamidade dos incêndios e na tragédia da queda da árvore, reforçando a ideia que “a decisão do senhor Bispo “desconsidera por completo a vontade dos paroquianos, pois ignora a petição que se fez chegar à Diocese do Funchal em novembro de 2017 solicitando a permanência do padre Giselo na paróquia…Trata-se de uma decisão totalmente desajustada e insensata, em termos de calendário, uma vez que foi tomada em pleno ano pastoral, o que, em termos práticos vem causar incontornáveis transtornos às atividades em curso. A decisão peca pela desumanidade e prima pela “salvação da imagem#” ao invés de se centrar no cuidado pelo outro”.

Este documento, enviado à comunicação social, questiona sobre a celeridade da decisão de D. António Carrilho: “Que caminhada de preparação é possível fazer-se quando um pároco e os paroquianos são notificados de uma decisão no domingo (28/01), passando aquela a produzir efeitos passados cinco dias (3/02)? Será um gesto de dignidade humana a Diocese exigir que um pároco esvazie a casa paroquial onde residiu, estudou e trabalhou durante nove anos, em apenas cinco dias?”

Deixando estas questões, surge em anexo uma Resolução que dá conta da demissão, praticamente em bloco, dos movimentos da Paróquia, designadamente:

Confraria de Nossa Senhora do Monte: abandonam este movimento todos os seus membros sem cargos diretivos. A direção irá formalizar a sua demissão ao administrador paroquial.

Conferência de São Vicente de Paulo: A chave da sala de reuniões da Igreja foi depositada na Diocese do Funchal, o movimento prossegue atividade noutro local.

Legião de Maria e Sociedade de São José: todos os membros, incluindo a direção, abandonam movimentos

Grupo de jovens: Abandonam o movimento, incluindo direção. Mantém-se o retiro em Fátima, uma vez que as passagens já tinham sido adquiridas.

Grupo de catequistas: Deixam de prestar serviço seis catequistas.