A Arte de (Des)mascarar – Ensin(arte)

 

Encontramos em todos os continentes, desde os tempos mais remotos, situações reais sobre o uso das máscaras pelo homem, como acessórios em diferentes manifestações culturais.

Podemos ver a utilização da máscara em rituais, simbolizando na maioria das vezes, seres que possuem, supostamente, a capacidade de protegerem os seus utilizadores das maldades do inimigo, do desconhecido; livrando-os de doenças ou mesmo ajudando a conseguirem a vitória nas guerras.

Inicialmente, o uso das máscaras também tinham a função de homenagear os deuses ou eram usadas para que pudessem contribuir para o sucesso nas batalhas e ainda com o objetivo de obter uma melhor colheita na agricultura, de forma a assegurar a subsistência da família e comunidade.

Assim, a máscara surgiu e foi-se adaptando como um adereço para resguardar a cara, em várias situações, como na arte, na guerra, no desporto (esgrima, entre outras modalidades), ou mesmo como proteção nas tarefas agrícolas e em outras profissões e afins.

As máscaras são construídas em cartão, pano, cera, madeira, metal ou com outros materiais, para cobrir a face ou mesmo parte dela, de forma a disfarçar, personificar, proteger, alindar (cá entram as famosas máscaras de beleza) ou simplesmente para fins terapêuticos.

São utilizadas em diversas atividades, como no carnaval, bailes de máscaras, rituais, tal como se vê ainda hoje em algumas tribos africanas, por exemplo; em iniciativas religiosas, vertentes artísticas, na medicina, como as ” máscaras de Venturi” que são usadas como meio de administração do oxigênio usado na oxigenoterapia.

Assim, ao longo dos tempos, as máscaras têm desempenhado funcionalidades de disfarce, proteção, símbolo de identificação, forma de esconder a identidade, transfiguração, estética e beleza, representação de deuses, antepassados, seres sobrenaturais ou imitação de figuras de animais.

Também através da História do Teatro podemos ver que a máscara é provavelmente um dos elementos mais simbólicos de linguagem cénica, alguma vez criado. Na origem do Teatro Grego, as máscaras eram utilizadas durante as festividades em honra de Dionísio – Deus do Teatro, das festas, do vinho e da fertilidade. Nessas festas Dionisíacas todos bebiam, cantavam, dançavam e usavam máscaras, feitas de folhas de vinha por acreditarem que o Deus Dionísio estaria presente entre as pessoas. A máscara teatral grega em cena tinha como objetivo principal, dar maior destaque à face dos atores, realçando os traços expressivos, para que todo o público pudesse entender bem o caráter do personagem.

Na realidade o mundo está repleto de máscaras. Há máscaras para todos os gostos, feitios e ocasiões. Mas, em boa verdade, não me preocupa os que usam sobre o rosto, uma série de máscaras verdadeiras. Preocupantes são aqueles que têm máscaras falsas para todas as ocasiões e mais algumas. Alguns até nas mãos usam o poder da máscara. Pois, deparamos com tanta pessoa mascarada ao longo do ano e não somente na época carnavalesca, que é mesmo de bradar aos céus.

A área da política também é um terreno muito fértil, ao menos para alguns, criarem ou atribuírem máscaras. Pois, constatamos nas várias forças partidárias que “na política, a máscara é uma constante do dia-a-dia e não está reservada apenas para o Carnaval. Há as máscaras que os políticos criam para si próprios, seja para se apresentarem perante os eleitores ou enviarem mensagens aos seus opositores, e há ainda as máscaras que lhes são atribuídas.“ Fonte: http://observador.pt/especiais/quais-sao-as-mascaras-da-politica-portuguesa/.

Há políticos com tantas máscaras enfiadas que para os detetar basta abrir qualquer matutino, sintonizar uma rádio, ligar a televisão ou conectar uma rede social e é vê-los a encobrir a realidade, optando pela mentira que parece ocupar todos os espaços da verdade.

Pois, infelizmente, muitos servem-se da política usando máscaras como de um jogo se tratasse. “Tudo é um jogo, a vida é jogo, no sentido metafísico, na medida em que há uma regra para um desempenho que pode ser em duelo ou não” (Ana Hartheley).

É perfeitamente normal detestar os políticos que colocam máscaras para esquecer as promessas que ficam por cumprir, para esquecer os fantasmas do passado ou os planos para o futuro.

Pois eu sei que “as circunstâncias ditam as oportunidades e a política, tantas vezes, foge aos desígnios da coerência da palavra dada, em nome de outros valores, mais ou menos generosos.” Fonte: https://funchalnoticias.net/2018/01/21/separar-as-aguas/)

Cuidado com os que utilizam máscaras que encobrem os segredos do seu desempenho diário. Cuidado também com os que colocam máscaras e se transformam naquilo que não são, para poderem obter dividendos à custa dos seus atos mascarados.

Atualmente a máscara ainda continua a ser um acessório importante na cultura da nossa sociedade, sendo utilizada em festas folclóricas, rituais sagrados e em outras situações que expressam a nossa tradição cultural. Também podemos verificar que existem no nosso meio portadores de máscaras sociais, que são mais do que as atitudes sociais que muitos precisam de assumir nos mais diferentes tempos e espaços da sociedade contemporânea.

Não deixem. as máscaras serem mais verdadeiras do que a própria face. Arranquem as máscaras e libertem-se. Deixem cair as máscaras para mostrarem quem são, realmente, perante a sociedade e não se tornem seres impenetráveis, que só prejudicam o bem alheio.

Vá lá, é tempo de colocar – e muitos até de tirarem – a máscara (desde as simples às mais elaboradas, como as máscaras de carnaval venezianas que são bastante reconhecidas e apreciadas pela sua beleza e complexidade). Pois como é tempo de carnaval ninguém leva mal.