Debate requerido pelos socialistas sobre o novo hospital ficou-se pelas acusações de parte a parte

Fotos Rui Marote

PS e PSD (com a preciosa ajuda dos outros partidos) degladiaram-se esta manhã na Assembleia Legislativa Regional, trocando acusações em torno da questão da concretização do novo hospital da Madeira. O vice-presidente do Governo, Pedro Calado, acompanhado do secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, e do secretário regional dos Equipamentos e Infraestruturas, Amílcar Vasconcelos, foram ao plenário num debate requerido pelo PS-M, e no qual Victor Freitas fez perguntas bem concretas, nomeadamente: quando terminará todo o processo de expropriações, quando será lançado o concurso público internacional para o novo hospital central da Madeira, quando será lançada a primeira pedra para a construção, quando prevê este governo terminar a obra e equipar o hospital, e quando e em que ano pretende abrir as portas do hospital aos utentes. “São perguntas”, considerou, “que não podem ficar sem resposta”. No entanto, acabaria por concluir mais tarde na manhã que foi precisamente isso que aconteceu, acusando o PSD e o Governo Regional de serem pouco claros.

Victor Freitas também questionou o Governo Regional sobre se prefere um hospital totalmente público ou uma parceria público-privada. O PS concluiu que “da mesma forma que foi um Governo do PS a pagar a dívida da Madeira, foi um Governo PS a fazer a Lei de Meios para acudir à Madeira na catástrofe do 20 de Fevereiro, e mais uma vez será um Governo PS a suportar financeiramente o apoio ao novo Hospital da Madeira”.

Por seu turno, o secretário regional da Saúde diria, em intervenção proferida na Região, que o novo hospital “é um imperativo regional que perseguimos desde 2004” e que aparentemente “apenas o PSD e a população da RAM” o têm entendido assim. “Infelizmente os restantes partidos ficaram para trás depois de um início prometedor. Assim como o Governo da República que com as suas promessas acaba por não anunciar nada no OE [Orçamento de Estado] de 2018”.

Pedro Ramos salientou: “Continuamos com reuniões com o Governo central que não servem para nada e que de acordo com o OE, já não têm razão de existir (…)”. Assumindo que o novo hospital “tem de ser uma realidade”, considerou que o mesmo “deve ser um desiderato de todos”, pois “a saúde não tem cor política”.

“Esta Assembleia tem de fazer em uníssono mais pressão”, frisou, acusando o primeiro-ministro António Costa de não se definir, e ter faltado à palavra. “Os seus 50% ficam muito longe das promessas iniciais – eram do custo total e não apenas da construção. Não cumpriu”, acusou, queixando-se das “inúmeras reuniões já realizadas sem resultados concretos” e descrevendo uma “luta inglória” dos deputados do PSD na Assembleia da República, bem como sublinhando “as expropriações já realizadas”.

“Lutemos pela primeira vez todos por algo que é um imperativo regional”, exortou.

Raquel Coelho, a deputada trabalhista, pôs o dedo na ferida ao perguntar a Victor Freitas se o PS apenas espera por um governo socialista na RAM para fazer avançar o projecto do novo hospital. Entretanto, o vice-presidente do Governo sublinhou também, por seu turno, as “falsas promessas” de António Costa e rebateu críticas do BE sobre o modo como decorreram as expropriações dos terrenos. Inclusive, as acusações chegaram à CMF, que foi acusada por Amílcar Gonçalves de conivência com os entraves ao avanço do novo hospital. Entretanto, o deputado (e médico de profissão) Mário Pereira acusou Pedro Ramos de, no passado, ter estado sempre contra a construção de um novo hospital, por entender que era preciso era melhorar as estruturas do já existente.