Exposição na Porta 33 recorda percurso do arquitecto Rui Goes Ferreira

Rui Goes Ferreira no atelier, Funchal, [19..]. Colecção privada Família Goes Ferreira
A galeria funchalense “Porta 33”, na Rua do Quebra-Costas, inaugura no dia 27 de Janeiro a exposição “Rui Goes Ferreira – Imagem de uma obra interrompida”, comissariada por Madalena Vidigal e com fotografias de Duarte Belo. A inauguração decorre no referido dia, um sábado, a partir das 18 horas, seguida de uma conversa com Madalena Vidigal, Duarte Belo, André Tavares e Sérgio Fernandez.

Esta mostra, explica a “Porta 33”, “parte da responsabilidade de divulgação de um legado ímpar no contexto da Arquitectura dos anos 60 e 70 no Arquipélago da Madeira (…) Motivada pelo acordo de doação deste acervo à Fundação Marques da Silva, no Porto, e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, acolhe pela primeira vez uma obra que esteve interrompida e desprotegida por mais de 30 anos e encontra agora a possibilidade da sua incorporação no debate da arquitectura portuguesa do século XX e em futuros estudos e investigações”.
A galeria explica que em 2009 iniciou-se um trabalho de identificação e levantamento das obras, conduzido pela arquitecta Teresa Goes Ferreira, filha do arquitecto. Temporariamente interrompido, o trabalho ressurge
em 2015 com um estudo pioneiro sobre o legado de Rui Goes Ferreira. Nesse ano, Madalena Vidigal, então
estudante na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, desenvolve a sua tese de mestrado intitulada
“Rui Goes Ferreira. Ensaios sobre uma obra interrompida. Madeira 1956-1978”, dando continuidade à organização
do acervo e iniciando um estudo da obra e do arquitecto.

Já em Junho de 2016, o fotógrafo Duarte Belo foi convidado a realizar um levantamento fotográfico ao conjunto de
obras construídas existentes e acervo, com o objectivo de fixar uma obra que construída ainda é viva mas que
se encontra em risco de desaparecimento.

Fotografia de Duarte Belo

Rui Goes Ferreira (1926-1978) nasceu no Funchal a 8 de Novembro de 1926. Em 1946 ingressou na Escola de Belas
Artes do Porto e completou a parte escolar do curso de arquitectura em 1953. Iniciou-se em trabalho de atelier
com o Arquitecto Januário Godinho, numa primeira fase como estagiário no período entre 1953 e 1957. Regressou
à Madeira em 1955 a convite da Academia de Música e Belas Artes da Madeira (AMBAM) para integrar o corpo
docente, como professor de Desenho Arquitectónico nos cursos de Escultura e Pintura. A partir de 1956 exerceu
carreira em regime de profissão liberal, no Funchal.
Em 1961 prestou a sua prova final de Curso, obtendo a classificação de 19 valores.
Tem uma actividade profissional intensa nas ilhas da Madeira e Porto Santo. A par de Raul Chorão Ramalho, é percursor da arquitectura moderna no arquipélago.
Cria no Funchal um “atelier-escola” que procurou a colaboração de arquitectos não locais agitando a massa
crítica e diversidade da prática da arquitectura na região. Entre eles, Bartolomeu Costa Cabral, Manuel Vicente,
Marcelo Costa, José António Paradela, José Zúquete e António Marques Miguel.

Fotografia de Duarte Belo

Entre variadíssimos programas, locais e circunstâncias, assim como outras actividades e interesses, identificam-se
diversos campos da Arquitectura, Urbanismo, Arte e Sociedade em que actuou, destacam-se: a docência
na AMBAM; o trabalho desenvolvido para as Habitações Económicas da Federação das Caixas de Previdência,
como Arquitecto Residente, no Funchal, na realização de vários projectos de unidades e de conjuntos, nomeadamente de habitação individual e colectiva; o acompanhamento da elaboração do Plano Director
da Cidade do Funchal, coordenado pelo arquitecto José Rafael Botelho, que passou por discussão pública
nos Colóquios de Urbanismo, em Janeiro de 1969, onde foram convidados os arquitectos Robert Auzelle e Nuno
Teotónio Pereira; e o projecto cultural da Galeria de Artes Decorativas TEMPO, no Funchal, desenvolvido com
o escultor Amândio Sousa.
É ainda recordado na região pela participação na “Volta à Ilha da Madeira” conquistando, em 1964, o lugar de melhor madeirense na aclamada corrida de automobilismo. E como membro jogador assíduo do Campo de Golf do Santo da Serra tendo participado em vários torneios regionais e nacionais.

Esta mostra exposição cruza, declaradamente, a selecção de fotografias de Duarte Belo com uma selecção de elementos do acervo do arquitecto, os elementos que se consideram essenciais para compreender a produção e prática de Rui Goes Ferreira, como desenhos e documentos originais e fotografias de época.