Não há aqui golpes palacianos, sou candidato a líder do PS-M e o Dr. Paulo Cafôfo é o candidato a presidente do Governo

Emanuel câmara
Emanuel Câmara diz que a sua candidatura está a assustar a atual direção do PS-M e o Governo Regional. Afirma que este Governo “está esfrangalhado”.

Emanuel Câmara tem um objetivo muito concreto: ganhar a liderança do Partido Socialista na Madeira quando os militantes forem chamados a escolher no dia 19 de janeiro. O argumento, como diz, é forte: “O PS-Madeira nunca teve um líder que tivesse ganho alguma coisa antes, agora tem essa oportunidade”. Refere-se, naturalmente, ao facto de ter ganho as duas últimas eleições para a Câmara do Porto Moniz, conseguindo mesmo uma maioria confortável nas autárquicas de outubro de 2017.

Quando se fala de um modelo pouco usual, de um candidato à liderança do partido e de um outro candidato à presidência do Governo, no âmbito desta candidatura socialista  que vai “medir forças” com o atual líder do partido, Carlos Pereira, Emanuel Câmara põe aquilo que popularmente se diz como sendo as “cartas na mesa”. Diz mesmo que “mais transparente do que isto não há”. Assume o posicionamento perante os militantes, tem a convicção do que oferece como projeto político e partidário, tem a certeza que será o mais votado e, em consequência, o próximo líder do PS-Madeira.

O candidato, que decidiu fazer da vitória no norte uma “bandeira” mobilizadora para a Região, em 2019, é claro e diz ao que vai: “Não há aqui qualquer golpe palaciano. Sou um candidato que se está a afirmar para a liderança do Partido Socialista na Madeira e que tem um objetivo que toda a gente sabe qual é, o de levar o PS-M ao poder em 2019. E que Já afirmou publicamente que o seu candidato a presidente do Governo é o Dr. Paulo Cafôfo. Comigo, não há nem golpes nem jogadas de bastidores, digo que quero ser o presidente de todos os socialistas da Região Autónoma da Madeira, quero organizar o partido, com um projeto vencedor para 2019, com um programa inovador, em que o social, tal como tem acontecido nas câmaras socialistas, é a palavra de ordem, com as pessoas sempre presentes. É isso que quero para toda a Região, com o PS à frente do Governo”.

Emanuel Câmara assume-se como “um vencedor”, diz que “isso pode custar a muita gente” mas “sou um vencedor”. E recorda outro vencedor, Paulo Cafôfo, como fazendo parte de um projeto global, que mais do que o partido, visa a Região. “É isto que assusta os meus adversários, não só a nível interno do partido, mas também junto do PSD, o partido que ainda está a governar mas que se encontra com uma governação em declínio”.

O candidato que se apresenta como alternativa à atual direção socialista reforça que já sente o pulsar dos militantes com o seu projeto. Mas também diz que sente esse pulsar dos madeirenses e porto-santenses, que segundo refere, constitui uma mobilização que esteve na génese da sua candidatura. “Sei ouvir as pessoas, não só os militantes, mas também todos os madeirenses e porto-santenses. E percebi logo que as pessoas queriam, logo após as eleições autárquicas, um outro passo em frente, abordavam-me dando os parabéns pela vitória no Porto Moniz, mas incentivavam-me no sentido de fazer uma nova aposta para 2019 em termos regionais, concretizando a alternância do Governo, que nunca há mais de quarenta anos não sofreu qualquer alteração em termos de cor política, mas que, para além disso, está neste momento todo esfrangalhado, sem ideias, já a caminhar para o seu último tempo de vida”.

O candidato e líder autárquico no Porto Moniz diz ter percebido, nesse contexto de ponderação sobre uma candidatura, que “o atual presidente do partido não iria aproveitar o capital da vitória autárquica de Paulo Cafôfo, não tive problemas em avançar, sendo mesmo desafiado a isso por vários camaradas de partido. A minha agenda política é pelos madeirenses e porto-santenses, ao contrário do outro lado, que se move por uma agenda pessoal, como prova o seu desempenho enquanto líder do partido. Se o atual líder tinha demonstrado preocupação pelos madeirenses e porto-santenses, mas sobretudo pelos militantes do Partido Socialista, tinha ficado no lugar próprio que era a Assembleia Legislativa Regional”.

Este modelo de candidatura, segundo Emanuel Câmara, não tem nada de original. Afirma mesmo que o seu projeto “vem dinamizar o PS-Madeira, ao contrário do que se diz, vem alavancar o Partido Socialista, vem acordar os socialistas, porque a mudança na Madeira só será possível se os socialistas estiverem despertos e prontos para concretizarem finalmente o sonho de gerações, que é verem o poder derrubado e ver o PS no lugar que merece, alargando à Região a resposta positiva que já têm dado nas câmaras municipais, onde provámos que nosso trabalho é melhor do que aquele desenvolvido pelos autarcas que nos antecederam na liderança dos municípios”.

Esta dupla candidatura, de um candidato ao partido e outro ao Governo, “não é novo”, recorda Emanuel Câmara. Vai à história e apela “à memória” para lembrar que isso já aconteceu, de uma forma diferente. “Quando Jacinto Serrão foi líder do partido, houve gente que que defendia o apoio a Maximiano Martins para a presidência do Governo. O apoio veio de pessoas que agora criticam a minha opção. Mas não é, a minha opção, como já disse, é chegar ao poder com a melhor opção”.