Testes são para continuar: autocarro elétrico no Funchal gera discussão nas redes sociais

O autocarro elétrico em testes na Madeira. Foto Fábio Capelo.

O vice-presidente do Governo Regional quer testar a viabilidade dos autocarros elétricos na cidade do Funchal. A notícia avançada por Pedro Calado já foi já divulgada e eis que o debate corre também nas redes sociais.

Nos dias 27, 28 e 30, o autocarro cem por cento elétrico volta a testar o asfalto do Funchal a ver viabilidade desta nova iniciativa para a Região.

Entretanto, o FN publica o testemunho de Tibúrcio Silva sobre o assunto, divulgado no site “Ocorrências na Madeira”.

“É curioso ver como neste mundo há gente mal agradecida, que só sabe falar mal das coisas, e isso sem sequer pensar um pouco no assunto antes. Abrem a boca e deixam sair.
Já foi notícia no telejornal da Madeira e em outros órgãos da comunicação social: temos por estes dias no Funchal um autocarro urbano totalmente eléctrico a fazer testes para verificar a viabilidade desse tipo de veículos a circular cá na região. O autocarro em questão é o que está na foto (créditos na mesma), tratando-se de um autocarro português construído entre a Siemens e a Salvador Caetano.

Ora, por curiosidade, hoje procurei fazer uma breve viagem no mesmo para conhecer como são esses novos autocarros. Veículo interessante, mas mesmo antes dele arancar, descobri um defeito: é demasiado silencioso. Sim, infelizmente isso foi um defeito, porque levou a que eu pudesse ouvir claramente a conversa de um passageiro que estava lá atrás no fundo do autocarro. A conversa era tão má que preferia não ter a ouvido…e para essas situações, nada como o ruído de um motor diesel para abafar esse tipo de verborréia.

Dizem que o português é mal agradecido. No geral não acho isso, mas algumas pessoas de facto o são. E aquelas que personificariam muito bem o Velho do Restelo, ainda o são mais. Ora, a conversa do homem cingiu-se a dizer mal daquele autocarro de forma ininterrupta enquanto estive lá dentro. Não quer dizer isto que ele não tivesse razão em uma coisa ou outra, mas o que está em questão é a forma como disse as coisas. O homem estava a desdenhar completamente o autocarro: que era muito lento, que tinha de ir várias vezes à Fundoa para carregar as baterias, que os motoristas que já tinham conduzido o autocarro diziam que este não valia nada, etc e etc. Sim, de facto tudo isso até pode ser verdade. Agora não é verdade dizer que por exemplo a HF adquiriu o autocarro com dinheiro sabe-se lá de onde, nem que no caso de haver alguma falha eléctrica, as portas do autocarro não iriam abrir, e seria preciso partir algum vidro para os passageiros saírem. Isso quando mesmo sobre a porta de saída tem um autocolante dizendo como proceder em caso de emergência: basta premir um botão, e abrir as portas manualmente. O homem ter-se-á dado ao trabalho de observar o tal autocolante? Não pareceu.

Agora, pergunta-se: será que esse homem tem noção que esse autocarro não foi adquirido pela HF, que está apenas em serviço por uns dias para testes de viabilidade? E será que ele sabe que os autocarros podem ser encomendados com diversas especificações, tal como um qualquer carro? Ou seja, que aquele autocarro poderia ser encomendado com um motor com maior potência, bateria com maior carga, etc? Será que a aparente falta de potência do autocarro não era devido a algum limitador de corrente que estava activo, de modo a maximizar a autonomia do mesmo? Será que ele tem noção do investimento e horas de trabalho, pesquisa e estudo que foram exigidas a diversas pessoas, para que aquele autocarro existisse? Esse homem contribuiu para alguma coisa na construção ou desenvolvimento daquele autocarro? Tem noção sequer de como funciona um veículo eléctrico? Porém, ele por mais que uma vez referiu que já tinha viajado naquele autocarro por três vezes, como se isso conferisse automaticamente um doutoramento (Honoris Causa?) em engenharia de mobilidade eléctrica.

Está certo que o autocarro, com aquela configuração, pode não ser perfeito para a região. Mas ele está aqui precisamente para isso, e estão a testá-lo sobre todas as condições possíveis. Tanto que tem feito viagens para o Monte e Lombo da Quinta, o que corresponde a desníveis de cerca de 500m em cada viagem. Aquele autocarro, com mais autonomia/potência, seria perfeito para utilização da população: é silencioso, não polui, o piso é rebaixado ao longo de todo o veículo (ao contrário dos autocarros rebaixados da HF que até têm uma escada no interior…), tem ar condicionado, tem bandeiras a indicar o destino na lateral e traseira…o que se poderia pedir mais?

Curioso que enquanto estávamos a seguir viagem, o autocarro foi ultrapassado por um fumarento com pelo uns 30 anos, a deitar uma nuvem negra atrás…sobre isso o homem não disse nada.

Generalizando, seria bom se as pessoas refletissem um pouco antes de abrirem a boca e deixarem sair o que bem lhes veio à cabeça. Aliás, seria bom que refletissem um pouco antes de fazerem qualquer coisa que possa afectar a vida de outras pessoas. Isso lembrou-me uma discussão que referia que o direito de voto não devia ser dado a qualquer um, mas sim apenas a pessoas que poderiam de facto votar com consciência. Que tivessem de facto consciência da situação política do país na altura da votação, e que soubessem um mínimo sobre cada candidato. Ou seja, para votar seria preciso fazer um breve exame, e só votaria quem demonstrasse ter um mínimo de conhecimentos. E só assim é que as pessoas poderiam decidir em quem votar, com verdadira consciência. Aqui é o mesmo: só devia opinar quem tem algum crédito sobre a matéria, porque senão estaremos num comum caso de “dar pérolas a porcos”.

Por fim, o meu objectivo não foi o de criticar aquele homem especificamente. Ele serviu apenas de exemplo para uma crítica social. Claro que todo nós temos os nossos limites, e todos temos os nossos deslizes consoante o dia. Mas se todos fizermos um esforço para evitar as atitudes destrutivas, e promover as construtivas, o mundo passaria a ser um melhor lugar para viver, e não tão só, para sobreviver.

Quem quiser experimentar o tal autocarro, parece que ainda vai a tempo. Segundo uma notícia do DN Madeira, ele vai estar a circular na carreia 36 no dia 27, e depois na carreira 02 entre o dia 28 e 30.”