Crónica Urbana: Quem acode o Zé…!

Rui Marote

Há um caso de saúde pública a merecer uma imediata intervenção das autoridades competentes. A história é real, triste e passa-se na Rua do Quebra Costas. O protagonista é um homem que faz da rua a sua casa e que foi expulso por seu pai por não querer tomar banho e respeitar as mais elementares condições de higiene.
No entanto, todos os dias este homem regressa às imediações da residência familiar, situando-se no Quebra-Costas, a cerca de vinte metros da residência familiar (Beco da Levada), fazendo da pedra fria o colchão, à entrada de uma galeria de arte, como se fosse uma pintura intitulada “retrato da autodestruição”. Veste roupa sujíssima e exala um cheiro fétido, afastando os transeuntes que circulam naquela artéria, a dezena de metros de um hotel.

Este “farrapo” humano arrasta uma das pernas, que aparenta encontrar-se a gangrenar, é visto a retirar vermes.
Em pleno século XXI, é inadmissível que um ser humano se apresente como um “suíno” numa pocilga.
Daqui o nosso apelo. Quem acode o Zé, que provavelmente sofre de problemas psiquiátricos, de alcoolismo ou males similares? Não estamos no paleolítico. Aos voluntários aos serviços que poderão interferir, avisamos que se munam de luvas e de máscaras para que possam resistir a este estado de calamidade…

O medo de tomar banho, por acaso, até tem um nome. Chama-se ablutofobia. Aqueles que tem medo de tomar banho podem sofrer grandes efeitos colaterais por causa disto, dado que a sociedade não aceita amavelmente os odores e a sujidade resultantes de falta de higiene pessoal. A pele humana, que está no exterior do nosso corpo ,conta com cerca de 2,6 milhões de glândulas sudoríparas, que são responsáveis pelo sudação, uma função essencial do corpo, sem a qual morreríamos. Porém, com uma sujidade acima do normal, germes e bactérias hospedam-se nessa camada externa do corpo humano, causando comichão, acto de coçar e, consequentemente, feridas que podem causar toda a sorte de infecções.
Embora não seja médico, o estado da perna, na qual inclusive a parte óssea parece estar visível, leva-nos a concluir o pior. Deixo o diagnóstico para o especialista. O alerta está no ar e cabe aos responsáveis da saúde e do auxílio social acção imediata.