Crónica Urbana: Imbróglio de instalações marítimo-turísticas “dá barraca” na Marina

Rui Marote
Será que as favelas no Brasil ou os “ranchitos” na Venezuela  tiveram origem na Madeira e foram levados para a América Latina por emigrantes madeirenses? Alguém já pensou fazer um estudo sobre isso?É que as barracas parecem mesmo estar no ADN dos habitantes da Região…

É nos arraiais, nos eventos festivos… há sempre barracas por todo o lado, que não fogem à regra. Se formos ao cais da cidade, está lá bem patente o número de “palhotas” que servem de apoio às embarcações de turismo e de pesca, cada uma construída ao gosto dos proprietários, exibindo cartazes publicitários que decoram estes “escritórios ” na venda de bilhetes. Uma imagem degradante na velha marina. A APRAM e a Secretaria da Economia, que tutelava os portos durante a vigência do ex-secretário Eduardo Jesus “abriu” um concurso para substituir os actuais quiosques por um novo modelo uniforme, tanto para a marina nova como para a nova marina anexa ao cais 8. Pelo custo de 75 mil euros.
Tudo feito sem auscultar os proprietários, que pagam pelo espaço base dessa estrutura  acima de 100 euros mensais.
A nova presidente da APRAM que herdou este novo modelo que já estava em marcha viu-se confrontada com uma autêntica tempestade.
Há duas semanas atrás, e numa sexta-feira pelas 16 horas, um funcionário da APRAM  entregou cartas protocolares avisando os utentes de que na segunda-feira teriam de abandonar e remover os actuais quiosques.

Apanhados de surpresa, uma vez que tinham Internet, luz eléctrica, e não era num sábado e num domingo que as vão desactivar, nem, de modo geral, mudar as instalações… Os proprietários ficaram em pânico. Os consultores jurídicos dessas empresas moveram-se, não se dando assim cumprimento ao solicitado.
A presidente da APRAM, que foi apanhada de surpresa, de imediato convocou uma reunião com os interessados, que tomaram conhecimento dos novos modelos a instalar, que seriam três “contentores”  na marina velha e um na nova no cais 8.
 O desenho apresentado não agradou, uma vez que ficou apelidado desde logo pelos mesmos de “cavalariça”.
Ficou decidido que seriam dois módulos em cada marina.
De imediato iniciaram-se as fundações  na marina nova, que estão suspensas até o próximo ano.
Os proprietários que têm quiosque na marina velha mas cujas embarcações estão posicionadas na nova, não podem ter quiosque na velha.

O Funchal Notícias aplaude esta nova cara. No entanto, acontece que estas “caixas” que irão nascer não se enquadram na paisagem da Praça do Mar, cujo projecto arquitectónico não o previa. Nem o autor foi consultado, sobre estas alterações ao original.
O desenho de que tivemos conhecimento é uma cópia de um contentor, que com certeza irá criar polémica.
Pensamos que a presidente da APRAM, que recebeu este presente envenenado, ainda está a tempo de criar um novo design.