Romance inédito do escritor madeirense João França lançado amanhã no Funchal

O Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira albergarão amanhã o lançamento de um romance inédito do escritor madeirense João França. O livro agora dado a conhecer ao grande público denomina-se “Uma Tragédia Portuguesa”. O acto de lançamento decorrerá às 18 horas do dia 13 de Dezembro, no auditório do supracitado espaço cultural.

João França viveu de 1908 a 1996. O livro surge com a chancela da “Editora Madeirense”, e vem prefaciado por Graça Alves.  Segundo a editora, “‘Uma Tragédia Portuguesa’ é um romance póstumo do autor madeirense João França que tem por pano de fundo a emigração portuguesa para França, na década de 60, que é retratada fielmente, desde o “salto” para Espanha, feito clandestinamente, à chegada ao destino final e respectivo trabalho nos “bidonvilles” de Saint-Denis, nos arredores de Paris. Uma carta anónima faz despoletar o regresso súbito a Portugal da personagem principal, que acaba por cometer um crime passional para vingar a sua honra”.

João França, foi escritor, jornalista poeta, actor e dramaturgo. Nasceu no centro do Funchal, na Rua do Carmo, na 23 de Junho de 1908. Filho de Belchior de França e de Maria José Pacheco França, viria a morrer em Lisboa a 30 de Janeiro de 1996. Como dramaturgo, escreveu, entre 1924 e 1939, várias peças em um acto, destinadas à representação por artistas amadores na Banda Distrital do Funchal, bem como noutras agremiações funchalenses nas quais também tomou parte como actor. Várias das suas peças foram representadas nas antigas estações de rádio Emissora Nacional, Voz de Lisboa e Rádio Peninsular. Como jornalista, colaborou, na Madeira, nos seguintes jornais e revistas: A Ilha, Comércio do Funchal (Comércio do Funchal), Re-nhau-nhau (Re-nhau-nhau), O Povo, Independência, A Batalha, Diário da Madeira (Diário da Madeira), Eco do Funchal (Eco do Funchal), Diário de Notícias (Diário de Notícias), Esperança e Margem (Margem). Fixou-se em Lisboa em 1938, ali trabalhando como redactor jornalístico. Depois de passar por A Noite e pelo Jornal da Tarde, foi n’O Século que definitivamente se fixou em 1944, tendo ali atingido o topo da carreira como jornalista internacional. Em Portugal continental, colaborou ainda nos jornais Diário Popular, Comércio das Ilhas, O Diabo, Voz Anarquista, O Mundo Português, O Primeiro de Janeiro, Jornal do Algarve, Jornal do Fundão e nas revistas Civilização, Panorama, Século Ilustrado e Vida Mundial, conforme refere o site “Aprender Madeira”, num artigo da responsabilidade de Élvio Camacho.

Entre as suas obras contam-se Zé do Telhado (1944); O Drama do Bobo (1964); A Ilha e o Tempo (1972); O Emigrante (1978); Baltazar Dias (2003); Uma Família Madeirense (2005); Cântico da Terra Ilhoa (2008); inéditos representados: Rosinha Bordadeira; Palmas para sua Excelência; O Auto da Crença (A Comédia da Crença); Há Sol nas Minhas Mãos; Um Mundo à Parte; Semana Santa(Páscoa Vermelha, ou Páscoa Nossa); Nódoas Negras; Festival Laura (Tudo pode Acontecer); A Rosa Vermelha; O Ministro e a Garota; Camões Pequeno; Venha Tomar Chá (Laura Alves e os Seus Fantoches); Mimi; O Regenerado; Amor sem Deus.

Várias das suas peças, apesar de levadas ao palco, não foram ainda publicadas. Outras encontram-se esgotadas. Revolucionário e com laivos de anarquista na juventude, escapou por pouco à perseguição pela PIDE, embora ainda tenha vindo a ser incomodado por ter entrevistado Humberto Delgado aquando da sua campanha para as presidenciais em 1958. Na sua e nos seus textos jornalísticos, manteve-se atento aos problemas sociais da sua terra, expressando frequentemente apoio pelos mais carenciados e com menos direitos.