António Barros com mostra individual no Mudas-Museu de Arte Contemporânea a partir do dia 16

António Barros numa anterior exposição.

O artista madeirense António Barros inaugura uma exposição no próximo dia 16 de Dezembro, um sábado, pelas 18h00, no MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira, anuncia esta instituição.

Este projecto, que se constitui como a primeira exposição individual deste autor na Região, contará com o comissariado da docente universitária Isabel Santa Clara e textos do padre e poeta José Tolentino Mendonça.

Natural do Funchal, António Barros nasceu em 1953 e estudou na Universidade de Coimbra e na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Barcelona. Trabalhou na década de 1970 com Wolf Vostell, Alberto Carneiro e José Ernesto de Sousa. Organizou diversas exposições e ciclos de performance, entre os quais Projectos & Progestos (1979-83, Coimbra). Participou em inúmeras exposições colectivas desde os finais da década de 1970 e realizou várias exposições individuais. A sua obra artística está representada nas colecções do Museu de Serralves, do Museu Vostell de Malpartida, Cáceres, e do Museu de Arte Contemporânea do Funchal, refere uma biografia da autoria de Manuel Portela.

“A obra de António Barros pode filiar-se quer na poesia experimental portuguesa, quer no movimento Fluxus internacional. Trata-se de uma obra intermédia, na qual a dimensão plástica dos objectos, colagens e instalações é sujeita a operações de renomeação metafórica dos referentes e à exploração da visualidade gráfica da palavra. De entre os géneros de poesia visual, destaca-se na sua obra o poema-objecto. Com efeito, é através de uma poética do objecto encontrado que a sua obra se integra plenamente na poesia experimental portuguesa. Através de intervenções que colocam em interacção palavras e objectos, os seus poemas-objecto alimentam-se da tensão entre a semântica social da palavra e a sua função referencial de nomeação. O objecto vê-se cindido entre a sua função e a carga simbólica que o define na semiótica social. Por via da retroalimentação entre esta ressignificação do objecto e a objectificação gráfica da palavra, os poemas-objectos tornam-se capazes de criar camadas de sentido e de alusão à experiência individual e social. Nestes objectos encontramos um sentido profundo da dimensão política das relações sociais e uma crítica irónica à reconstituição das estruturas de poder no Portugal pós-revolucionário”, refere-se sobre este artista.