Site do Gabinete da Cidade apresentado na CMF; autarquia quer intervir na Avenida do Mar e outros locais

Fotos: Rui Marote

O site do Gabinete da Cidade foi hoje apresentado no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal, numa oportunidade que juntou várias individualidades civis e militares. O dito gabinete foi criado com o objectivo de contribuir para o ordenamento do território no Funchal, para, nas palavras do presidente da Câmara Municipal, proferidas a 21 de Agosto último, “acelerar a regeneração e a vitalidade urbana”. A coordenação da nova estrutura ficou a cargo dos arquitectos Paulo David e João Favila, que sob sua responsabilidade orientaram uma equipa constituída por “urbanistas, geógrafos, historiadores, engenheiros, juristas e outros técnicos”, e que contou com a consultoria científica dos arquitectos Gonçalo Byrne e João Gomes da Silva.

Hoje, na apresentação do site do Gabinete, realizou-se também a primeira apresentação pública do trabalho que a referida estrutura tem efectuado. Na ocasião, o edil funchalense, Paulo Cafôfo, relembrou que o Gabinete foi criado no rescaldo de um triste acontecimento, nomeadamente, os incêndios que afectaram o centro do Funchal a 9 de Agosto. A ideia foi, declarou, “pensar a cidade de uma forma completamente distinta e diferente”. E o trabalho realizado até agora “foi de excelência”, na sequência da aplicação do labor “de uma nova vaga, uma nova geração de arquitectos”, que, no entender do autarca, fazem com que a gestão do património urbanístico da cidade esteja garantida.

A 9 de Agosto a cidade “abrasou-se”, admitiu Cafôfo, num episódio muito negativo que era necessário reverter. Por isso, considerou, a apresentação do site é muito mais do que isso, é “uma oportunidade de envolver os cidadãos” num processo de defesa da sua urbe. Garantindo que todo o trabalho realizado suscitou grande interesse académico, inclusive nacional e internacional, Cafôfo admitiu que seria interessante que o site fosse traduzido para língua inglesa, proporcionando assim o contacto a estudiosos estrangeiros com esta realidade do Funchal que quer transformar-se.

Sem enjeitar a destruição causada pelos incêndios, Paulo Cafôfo disse que havia porém já uma “destruição pré-existente” na cidade, e uma degradação que se foi acumulando em certas zonas. “Há uma cidade degradada, que precisa de ser recuperada”, reconheceu. Para o edil, é necessário saber ler a cidade, criar um pensamento urbanístico, arquitectónico, que permita intervir e melhorar aquilo que existe. Feito o diagnóstico, apontou, é necessário prosseguir.

O presidente da Câmara aproveitou para defender uma intervenção na Avenida do Mar, que considerou ter-se transformado ao ponto de cortar, de certa forma, a relação dos cidadãos com o oceano. Há, pois, declarou, que “devolver o mar às pessoas”.

Por outro lado, Cafôfo referiu que a relação dos habitantes do Funchal com as suas ribeiras também se alterou, fruto do modo como as mesmas foram modificadas com grandes muralhas e travessões de betão. Relembrando a antiga “Rua das Árvores”, como era conhecido no passado o trecho ao longo da Ribeira de Santa Luzia, onde haviam passeios e muitas árvores mesmo rente ao curso de água, depois cortadas e retirados para se alargar a estrada, o edil deixou a ideia de que se poderia recuperar algo do visual que havia anteriormente, numa nova intervenção entre a ponte do Bazar do Povo e a ponte do Cidrão.

Abordando bairros históricos, na sua maioria de operários, como o dos Moinhos ou dos Frias, Paulo Cafôfo considerou que há opções que têm de ser tomadas para os mesmos, ajudando a revitalizá-los. Um tema que abordou, aliás, recentemente, em entrevista ao Funchal Notícias.

Entretanto, o site foi apresentado pelo arquitecto Pedro Maria Ribeiro, que explicou que, para a realização do mesmo, foi realizado um extenso levantamento topográfico e fotográfico. No final, referiu, estão as propostas de acção e de intervenção em determinados núcleos. Sublinhou, a propósito, a possibilidade de intervenção na Avenida do Mar, já referida pelo presidente da Câmara, e destacou que o Gabinete da Cidade fez a análise de cada ribeira que atravessa o Funchal e das possibilidades de intervenção em diversos núcleos citadinos.

Já o arquitecto Paulo David fez questão de agradecer à equipa que com ele trabalhou e elogiou a conseguida interlocução entre arquitectos, engenheiros e advogados da CMF, entre outros profissionais e técnicos, a qual “foi muito importante”. Frisou, por outro lado, o “carácter científico” do trabalho realizado e o estabelecimento de pontes com a sociedade civil.

O site pode ser consultado em http://gabinetedacidade.cm-funchal.pt/

Nele se abordam por exemplo os acidentes que o Funchal sofreu ao longo dos anos, registando os dados relativos aos incêndios e aluviões. Traça-se ainda o mapeamento e catalogação de exemplos de edifícios que foram desaparecendo com a transformação e evolução da cidade, e foca-se o estado de decadência de certos edifícios do Funchal, analisando interiores de quarteirões e suas porosidades urbanas.

Além destes processos de reconhecimento e entendimento crítico, avançam-se com diversas propostas de intervenção e salvaguarda, na Avenida do Mar, ao longo das ribeiras do Funchal, e em núcleos como as zonas da Rua Direita ou da Rua do Castanheiro.