Novamente o argumento da lei da oferta e da procura! 

Como diz a sabedoria popular, “pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”! Esta é a realidade que vivemos na mobilidade regional com o exterior. Nós vivemos numa ilha e este simples facto exigia que a mobilidade ficasse desde logo defendida e definida no estatuto político-administrativo da RAM, como forma de garantir que uma característica intrínseca da região não se tornaria num problema para a sua economia e população como acabou por acontecer, mas como não podemos mudar o passado é importante agora debater sobre que soluções temos para melhorar o presente e o futuro. Essa é a única forma de garantir que no próximo Natal não estaremos todos novamente a debater o preço das passagens aéreas que estudantes têm que pagar para vir passar esta época com a sua família. Isto porque, ao contrário do que diz o administrador do Estado na TAP, nenhum de nós tem qualquer prazer em ter que ano após ano recordar este tema e muito menos os estudantes e suas famílias em pagar todos os anos os desvarios da TAP e EasyJet (Lisboa)/Transavia (Porto).

Aquando das notícias do interesse da Ryanair em começar a operar no aeroporto da Madeira, eu já escrevi sobre este tema e defendi a entrada desse terceiro player no mercado, como forma de garantir uma redução de preços médios das passagens aéreas. Continuo a acreditar que essa é a solução mais eficaz para resolver este problema usando o argumento usado pelas actuais companhias (lei da oferta e da procura) contra o estado actual do mercado. Se existe excesso de procura para a oferta actual e estranhamente nenhum dos actuais players tem interesse em aumentar essa oferta, então que se encontre uma outra companhia que garanta esse aumento de oferta necessária.

Defendo o nome da Ryanair por três motivos: o primeiro pela necessidade de um novo player, que poderia ser a Ryanair ou outra companhia qualquer, mas também porque a estratégia comercial de preços da Ryanair torna esta companhia num parceiro que se adequa completamente ao objectivo proposto da baixa de preço médio e por fim, mas não menos importante, por ser o player que já se mostrou disponível para começar a operar no mercado regional e por já ter experiência na outra Região Autónoma Portuguesa.

Esta semana soube-se também que o subsídio de mobilidade para a Madeira custou ao Estado Português 25 milhões de euros em 2016 e que o preço médio das passagens entre a Madeira e o continente Português aumentou de 148 euros em 2014 para 262 euros em 2016. Um aumento escandaloso de 77% em apenas dois anos!

Anteriormente também já defendi aqui, neste espaço, que a entrada da Ryanair permitiria reduzir drasticamente os gastos com este subsídio de mobilidade. Usando estes novos dados e estimando uma quota de mercado de 1/3 para a Ryanair, eu arriscaria que essa redução seria a rondar pelo menos 10 milhões de euros, visto que as tarifas da Ryanair, por exemplo, nos Açores (Ponta Delgada e Terceira) estão praticamente sempre abaixo do valor mínimo estipulado para o subsídio e que essa política de tarifários forcaria obrigatoriamente as outras duas companhias a baixar os seus preços.

Nesse anterior artigo de opinião, também defendi que se deveria usar parte dessa redução do custo com o subsídio de mobilidade para negociar com a ANA a redução das taxas aeroportuárias do Aeroporto da Madeira que estão a tornar este aeroporto demasiado caro e pouco atractivo para novos operadores. Na altura o valor que a Ryanair pediu de redução de taxas, pelo que se tornou público, era 5€ por passageiro, comprometendo-se a transportar, em cinco anos, mais 4 milhões de passageiros para o Funchal, ou seja, duplicar o actual tráfego do aeroporto. Só a duplicação do tráfego do aeroporto já deveria compensar a redução das taxas por parte da ANA, mas percebendo que a gestão do aeroporto passou para domínio privado seria de todo conveniente usar parte da potencial poupança obtida no subsídio de mobilidade com a entrada da terceira companhia para negociar com a ANA a redução de taxas no aeroporto da Madeira. Também torna-se muito importante relembrar que aquando da venda da participação do Governo Regional na ANAM ficou acordado uma redução de taxas aeroportuárias que até hoje não aconteceu, pelo contrário, essas taxas até sofreram alguns aumentos! Não consigo mesmo, de nenhuma forma, entender como é que não se vê qualquer movimentação dos nossos governantes para forçar a que esta parte do acordo seja cumprida!

É completamente insustentável manter um modelo que, apesar de demasiado caro, não dá completa resposta às necessidades dos Madeirenses! Um problema com tantos anos e que tanto afecta as famílias Madeirenses merece uma acção concreta e talvez até “fora da caixa” por parte do Governo Regional! Assim sendo, acredito que até conseguirmos encontrar uma terceira companhia para operar nestas rotas, seria importante o Governo Regional aumentar a oferta de lugares disponíveis, pelo menos, nas épocas de aumento drástico de procura como é o Natal e Fim de Ano. Isto poderia ser feito, por exemplo, através da contracção de empresas de leasing de voos charter, como a Portuguesa EuroAtlantic, para aumentar a oferta de lugares disponíveis entre Porto e Lisboa com a Madeira e assim usar a lei da oferta e da procura, o argumento que todos estamos cansados de ouvir, para forçar a baixa de preços!

Nota: Este autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico da Língua Portuguesa.