
O caso do Pe. Giselo Andrade tem suscitado paixões. Uns a favor, outros contra.
O caso terá de ser analisado entre a ‘dura lex’ do direito canónico, a voz do povo a perdoar o “pecado”, a Diocese a dizer que não pode haver “vida dupla” e a consciência do sacerdote.
Uns a confundir filhos com sobrinhos e afilhados, outros a perdoar o mal pelo bem que sabe, outros ainda a enaltecer a humanidade do sacerdote, em toda a sua plenitude.
Uns a confundir a virgindade com o celibato e a castidade e mesmo com a continência ou a abstinência. Outros a confundir dogmas de fé, doutrina, leis, votos, regras, pecado e perdão.
É na interpretação dos conceitos, aos quais se adicionam disciplina e obediência, que se adensa o monte de dúvidas que os cristãos/católicos/apostólicos/romanos se movimentam.
Uma coisa é certa, não devemos ser céleres a condenar sem sequer haver acusação e julgamento (humano e divino).
Os conceitos não podem ser entendidos à letra caso contrário o antigo testamento seria um manual de horrores e as parábolas do novo testamento histórias da carochinha.
Interpretar a palavra de Jesus aos pescadores “Deixa as tuas redes e segue-me” como uma renúncia à Humanidade, à conjugalidade, parece-nos demasiado restritivo. Quem se apressa a condenar resta a palavra de Jesus a Pedro “mete a espada na bainha”!
Só aos olhos da fé -e não dos homens- se pode entender, por exemplo, a conceção da Virgem Maria e o ‘fiat’ (faça-se) que deu ao Arcanjo Gabriel.
Ao Pe. Giselo, em vez de o condenar, reprimir, açoitar, marginalizar pede-se discernimento para que saiba, em consciência, interpretar os chamados desígnios de Deus. Mas ninguém o pode fazer, apenas ele e a mãe que trouxe ao mundo um novo Ser!
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





