PSD denuncia “calvário de má vontade, sectarismo e leviandade” do Executivo de António Costa na questão do novo hospital da RAM

Carlos Rodrigues foi particularmente incisivo nas críticas ao Governo da República.

Fotos: Rui Marote

O debate de urgência solicitado pelo PSD-M em torno da questão do novo hospital termina sem que se tenha chegado a qualquer conclusão construtiva, inclusive relativamente a uma estratégia conjunta a apresentar face à actual posição do Governo da República nesta matéria. Não há consenso entre PSD e oposição e toda a questão configura um círculo vicioso, em que o Governo da República não avança enquanto o Governo Regional da Madeira não der certos passos, e  vice-versa.

O líder da bancada social-democrata, Jaime Filipe Ramos, apontou as contradições entre o discurso de António Costa na Assembleia da República, quando interpelado por uma deputada açoriana sobre esta e outras matérias, e o discurso posterior do ministro das Finanças, Mário Centeno, sobre o mesmo assunto. Costa deu a entender que a verba para o hospital da Madeira seria concedida e o projecto considerado de interesse público, enquanto Mário Centeno, poucos dias mais tarde, disse que não havia dinheiro para o novo hospital inscrito no orçamento de Estado. Nem sequer os propalados 50% de financiamento. E criticou o JPP e o BE por estarem, em seu entender, a defender mais afincadamente o governo central do que o próprio PS. Algo que já tinha sido ouvido esta manhã no hemiciclo.

O líder socialista regional, Carlos Pereira, enquanto acusou os anteriores governos PSD, na Região e na República, de nada terem feito para fazer avançar o projecto do novo hospital, teve por outro lado de ouvir Carlos Rodrigues, do PSD, a ironizar sobre os seus esforços constantes junto de Lisboa, para fazer valer algo que não passa, em seu entender, de um direito dos madeirenses, principalmente, na sua perspectiva, face às facilidades que o Executivo de Costa tem concedido à Região Autónoma dos Açores.

Em termos fortes, Carlos Rodrigues do “calvário de má vontade, sectarismo e leviandade” do Governo da República neste assunto, considerando desejável que a RAM não tivesse de “mendigar”, e que Carlos Pereira não tivesse de desdobrar-se em esforços, mês após mês, semana após semana, insistindo no novo hospital junto dos socialistas que são governo em Portugal. Classificando esse mesmo governo de incompetente em múltiplas matérias, incluindo a gestão dos incêndios no país e os mais recentes casos de infecção por legionella, classificou o Executivo de Costa de “governo golpista e medíocre”, que tem gerido este processo do almejado novo hospital da RAM “de forma vil e baixa”, subordinada a interesses partidários, e acusou-o de dificultar propositadamente as coisas para a Madeira, empatando o processo de forma burocrática, naquilo que é uma legítima aspiração dos madeirenses.

Já o vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado, considerou que o debate realizado “comprovou a importância primordial da construção de um novo hospital para a Madeira e os madeirenses”, infraestrutura que, asseverou, contribuiria para garantir mais e melhor saúde.

Também disse entender que o debate comprovou o conjunto de medidas tomadas pelo Governo Regional, conducentes à concretização dessa obra, desenvolvendo o programa funcional, concebendo os projectos de arquitectura e avançando com expropriações. Todos os dossiers, afirmou, estão prontos e as condições necessárias existem para lançar o concurso público internacional já no próximo ano. Realçou que, constitucionalmente, a Saúde é uma matéria da competência do Estado e uma obrigação do mesmo relativamente às Regiões Autónomas. Criticou o compromisso político do primeiro-ministro, por até agora dele nada ter resultado de concreto.

“Passado mais de um ano, o Governo da República continua a brincar não só às comissões, mas também com as mais legítimas aspirações do povo madeirense”, assegurou Calado, acusando António Costa de atitude discriminatória, ao avançar neste Orçamento de Estado com o financiamento de três outros hospitais no país, mas deixando para trás a Madeira. Tudo devido a “tácticas eleitorais”, numa “tentativa de assalto ao poder regional em 2019”; a construção do novo hospital, acusou, está a ser deliberadamente atrasada, para poder ser aproveitada mais tarde por um candidato apoiado pelos socialistas de Lisboa, deixou implícito.

Quanto a Carlos Pereira, considerou que “anda à deriva e não faz parte da solução”.