VENECOM defende comunicação mais efetiva entre Governo e universidades para reconhecimento de equivalências a quem regressa da Venezuela

Venecom B
A VENECOM é uma associação que promove a integração dos madeirenses que regressam da Venezuela, um trabalho em articulação com as entidades regionais.

Criar uma comunicação mais efetiva entre o Governo e as universidades em prol da sensibilização quanto a obtenção de reconhecimentos e equivalências de títulos; Criar programas de incentivos para a criação do próprio emprego às pessoas que estão a chegar da Venezuela. São estes alguns dos objetivos que Ana Cristina Monteiro, presidente da VENECOM, Associação da Comunidade de Imigrantes Venezuelanos na Madeira,  define como passos a dar para o processo de integração dos madeirenses que optaram por regressar à Madeira em função da situação de instabilidade que se vive no país de acolhimento.

Uma das últimas notícias, entre o caudal de informação que nos chega todos os dias, é a que o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) ordenou, na sexta-feira, o fim da imunidade de Freddy Guevara, proibindo-o também de sair do país, uma decisão que é interpretada como meio caminho andado para levá-lo a julgamento. Guevara, um rosto da oposição e vice presidente do parlamento venezuelano, pediu proteção na embaixada do Chile. Este é um entre muitos episódios que lemos e ouvimos sobre a Venezuela, também terra de muitos madeirenses.

Politicamente, esta é uma informação sobre um país onde vive uma forte comunidade madeirense e onde existe um clima de grande tensão, com violência e instabilidade, que já levaram ao regresso de muitos dos nossos emigrantes à Madeira. Um regresso que, ao nível da Região, tem vindo a ser preparado através de medidas que visam a melhor integração possível, mas que nem sempre andam com o ritmo que seria aconselhável para casos urgentes, como é o caso em análise.

A realidade e a integração

Associações como, por exemplo, a VENECOM assumem um papel preponderante num contexto de dificuldades. Primeiro, têm conhecimento muito mais próximo da realidade global, que é substancialmente diferente daquela que os orgãos de comunicação social mostram e que incide nos aspetos e nas cidades mais mediáticas. Há muito para além disso, há muito para além daquela comunidade em que o estatuto permite uma vivência diferente daquela que corresponde a cada madeirense que está na linha da frente dos seus negócios e que, por isso mesmo, enfrenta o medo a cada passo que dá. Não há uma realidade, há várias. Depois, é uma associação que tem uma missão, não menos fácil, de estabelecer “pontes” no sentido da integração daqueles que decidem regressar, que já são muitos. Uma integração que, por diversos motivos, pode não estar a ser desenvolvida com a celeridade e a metodologia exigidas para as circunstâncias. Vai andando ao ritmo que a burocracia e que algumas vontades permitem.

Apoio online a 380 e presencial a 198

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Os madeirenses na Venezuela “estão a ver o seu futuro e o das suas famílias se desmoronar”.

Ana Cristina Monteiro, responsável pela orientação daquela estrutura associativa, dá números que correspondem apenas à intervenção da instituição que representa, diz-nos que a organização que dirige dá apoio a 380 pessoas, via online, além das 198 que recebeu presencialmente. O universo, de resto, é muito maior, não havendo forma exata de perceber a verdadeira realidade dos regressos., além da contabilidade que tanto o Governo como as associações fazem.

O “retrato” que faz do País outrora de sucesso para milhares de madeirenses, o el dorado que durante anos a fio foi território de bonança, é hoje uma caricatura do que foi. As vozes de alguns dos que lá estão, transmitem uma ideia de que “estão afetados com a situação reinante na Venezuela, pois como sabemos, são uma grande comunidade, maioritariamente formada por comerciantes que estão a ver o seu futuro e o das suas famílias se desmoronar”, refere a dirigente associativa.

Acreditar que a situação seja ultrapassada

Deita um olhar para o futuro da Venezuela e não consegue fazer uma avaliação sem reservas. Diz que “não podemos fazer uma premonição do futuro da Venezuela, ainda há muito para ver e para fazer. Acreditamos que todos os dias, os nossos venezuelanos, portugueses e lusos desentendes, trabalham para que essa situação seja ultrapassada”.

O discurso é naturalmente cauteloso, só pode em função do objetivo que é defender a presença dos madeirenses naquele país de acolhimento, em condições de segurança, garantindo, no entanto, todo o apoio aos que decidem regressar, uma opção legítima em função da ocorrência de uma tensão visível no território.

Integração resolve-se com paciência e persistência

Ana Cristina Monteiro considera que, em matéria de trabalho desenvolvido na Região, “o processo de integração dos madeirenses que voltam está a correr relativamente bem, com alguns atrasos e dificuldades, mas que aos poucos, com paciência e persistência serão resolvidos”.

A associação tem um papel de intermediário entre as pessoas que chegam da Venezuela e as respetivas instituições do Governo Regional e de utilidade pública. “Nós damos informação, baseada na nossa própria experiência e conhecimentos, sobre os passos que as pessoas devem seguir para sua legalização e estabilização na Região e depois as instituições seguem com os serviços que correspondem a cada situação”, explica a presidente da VENECOM.

Não há muitos que recebam como a Madeira

A existência de uma comissão de acompanhamento, criada no âmbito do Governo Regional, é considerada por Ana Cristina Monteiro como “uma iniciativa de louvar, pois não são todos os países recetores, que acolhem de braços abertos os seus conterrâneos de volta, como o que está a fazer a Madeira, sem embargo, embora ainda haja muito para ser desenvolvido neste âmbito”.

Fortalecer quadros das Conservatórias. Segurança Social e SEF

Os passos que foram dados até ao momento completam-se com muitos mais passos que os madeirenses que regressam à sua terra devem dar no sentido da integração mais ou menos plena. A responsável pela VENECOM tem define alguns vetores para os quais é preciso direcionar a ação. Nomeadamente “fortalecer os quadros de pessoal relativos às Conservatórias de registos civil, segurança social e SEF; criar uma comunicação mais efetiva entre o Governo e as universidades em prol da sensibilização quanto a obtenção de reconhecimentos e equivalências de títulos; criar programas de incentivos para a criação do próprio emprego às pessoas que estão a chegar da Venezuela; Estabelecer uma comunicação direta entre o governo regional, o governo da Venezuela e as diferentes ordens profissionais a fim de conseguir protocolos de cooperação entre estes, para o para o reconhecimento de títulos académicos sem burocracias a mais”.