Marta Ubach inaugura às 18 horas exposição de pintura na teia do Teatro Municipal Baltazar Dias

Fotos: Rui Marote

A artista plástica Marta Ubach inaugura hoje, pelas 18 horas, no Teatro Municipal Baltazar Dias, uma exposição de pintura. A mostra tem uma curiosa particularidade, a de ser apresentada na teia do vetusto edifício, a zona precisamente por cima do volumoso lustre que adorna e ilumina a sala de espectáculos.

A zona onde é apresentada esta mostra, produzida pela CMF/Teatro Municipal em colaboração com a Galeria das Salgadeiras, de Lisboa, permite sem dúvida enquadramentos e leituras diferentes, mas peca por um aspecto, a inclusão: qualquer pessoa com dificuldades motoras não a poderá ver, uma vez que terá de galgar muitos lances de escada para atingir o topo do edifício. Trata-se de uma subida, na realidade, imprópria para cardíacos.

No entanto, para aqueles que têm a possibilidade de subir, vale a experiência.

Conforme o Funchal Notícias já antecipadamente referiu, Marta Ubach nasceu em 1969 na capital portuguesa, e a sua figuração já foi classificada como marcada por um cariz fortemente expressionista e profundamente autoral.

Desde que terminou, em 1998, o curso de Teoria e Prática da Pintura, na Artilimitada com a orientação do professor Filipe Rocha da Silva, que esta criadora tem apresentado regularmente os seus trabalhos em diversas galerias de Lisboa. A sua colaboração com a Galeria das Salgadeiras data já de 2003, com a exposição “Magenta”, onde já se notavam bem dois aspectos que caracterizam a sua produção artística, nomeadamente a figuração e a composição monocromática.

Os seus trabalhos são particularmente discretos, e ainda mais discretos se apresentam nesta exposição em que se apresentam sobre paredes de pedra, estabelecendo bem pouco contraste. A discrição é uma característica que parece agradar a esta artista plástica, que tem dificuldade em pronunciar-se sobre a sua própria criação artística, preferindo simplesmente pintar e deixar que o fruidor e a crítica tirem as suas próprias conclusões. De qualquer forma, parece ser discernível a existência de um universo imaginário próprio, povoado por humanos e animais com estranhas morfologias e aparências, que a artista recusa serem lidos como metáforas da realidade, ou possuírem um carácter narrativo ou alegórico. Parece-se ser óbvio, no entanto, existir um conteúdo narrativo subjacente, consciente ou inconscientemente.

Porque surgem estes estranhos personagens e animais nos seus trabalhos? “Não sei. Não faço ideia de quem eles são, mas agrada-me a companhia deles”. É, assim, desta forma simples e pouco explicativa, que Marta Ubach comenta o seu próprio trabalho.

“Nele não quero acentuar nada, nem dizer nada”, refere.

Admite que a sua obra é a mera projecção de um imaginário pessoal. Diz que não procura contar histórias através do seu trabalho pictórico, mas “se os trabalhos o fizerem, acho óptimo”, assume.