Liliana Rodrigues denuncia violência contra as mulheres na Etiópia

A eurodeputada madeirense Liliana Rodrigues esteve hoje presente num debate realizado no Parlamento Europeu, sobre a violência contra as mulheres e a violência com base no género, tendo como foco principal o caso da Etiópia. A discussão decorreu durante uma reunião da Subcomissão dos Direitos Humanos.

Durante a troca de pontos de vista, Liliana Rodrigues referiu que “a brutalidade e a repressão não podem ser pagas com dinheiro europeu”, acrescentando que “um país que não protege as suas mulheres não pode ser considerado um país democrático”.

A eurodeputada socialista alertou também para a necessidade de exercer pressão diplomática sobre o governo etíope, para que seja possível “acabar com a impunidade dos perpetradores da violência sexual e apoiar as vítimas, reconhecer a violação como uma arma de guerra e crime contra a humanidade e dar especial atenção ao empoderamento das raparigas, especialmente através da educação, fazendo das escolas lugares seguros, livres de estereótipos e que combatam as práticas tradicionais nocivas”.

A intervenção da eurodeputada foi alvo de destaque pelo gabinete de imprensa da Subcomissão dos Direitos Humanos, por “denunciar a violência sexual contra as mulheres”. Antonio Panzeri, Presidente da Subcomissão, secundou as palavras de Liliana Rodrigues e convidou a deputada socialista para integrar uma comitiva da Comissão dos Assuntos Externos à Etiópia.

Em relação à troca de pontos de vista, para além de vários eurodeputados, marcaram ainda presença Juweria Ali e Samihaa Osman, uma estudante da comunidade de Ogaden (Etiópia) e uma refugiada da região do Oromo (Etiópia), respetivamente. Por via skype, participou também o jornalista Graham Peebles, autor do documentário “Ethiopia’s Hidden Shame”.

Na Etiópia, cerca de 74% das raparigas e mulheres enfrentam o assédio sexual diariamente e um terço das vítimas de violação foram-no por mais do que uma vez. Mais de 70% das vítimas são estudantes e mais de 90% dos perpetradores foram identificados pelas vítimas, sendo que apenas alguns deles foram presos e punidos pelas suas acções.