Crónica Urbana: A guerra das castanhas

Rui Marote
Todos os anos essa “tragédia” é levada à cena.
Os vendedores todos os anos entram em guerra uns com os outros pela localização. Recordamos que até aos anos 70, as castanhas eram assadas no calhau junto à foz das ribeiras de Santa Luzia e João Gomes, e a venda era feita através de vendedores ambulantes, transportando em tabuleiros a muito apreciada semente (que surge no interior do ouriço, o fruto do castanheiro). Nos meses de maior frio, este alimento rico em hidratos de carbono era bastante procurado.
Hoje tudo se modernizou, e todos querem lugar de destaque.
O Funchal Noticias constatou que na praceta entre as duas lagoas à entrada do cais do Funchal, já se encontra em funcionamento um ponto de venda de castanhas, o que tem sido normal todos os anos.
Fomos surpreendidos com uma nova banca no  interior do cais da cidade, que as fotos
documentam.
Uma fronteira com autorizações diferentes.

Quem está fora do cais, paga a mensalidade de 260 euros à Câmara; quem abanca no cais paga aos portos 115 euros.
Dois pesos, duas medidas. Uma guerra que já se instalou. Não estamos contra a venda das castanhas, obviamente.
Todos tem direito à vida. Só que a venda à entrada do cais não é a melhor, já que em dias de vento a fumarada instala-se em toda área, tirando a visibilidade e infestando de fumo os que lá passam.
A cerca de vinte metros, em pleno cais, foi autorizado um posto de venda  para conspurcar
e aumentar a poluição em toda a área.
As iluminações de fim de ano estão à porta; o cais é um ex-libris da urbe. Será que o fumo das castanhas irá provocar efeitos psicadélicos nas iluminações, dando a sensação de estarmos num concerto ou numa discoteca?
Quem não recorda o carrinho de amendoim, com o seu tradicional apitinho do lado esquerdo à entrada do cais nos anos 60.
E os carros de bois…!!! Tudo isso desapareceu.
Estou a ver os portos todos os dias a varrer o cais, limpando as cascas de castanha que irão proliferar pelo chão, pois o povo superior acha-se no direito de sujar, já que há escravos para limpar.