Obras de arte retiradas do Museu de Arte Sacra em complexa operação, rumo a exposição em Lisboa

Fotos: Rui Marote

O Largo do Município registou hoje uma curiosa movimentação, com a retirada de peças de arte, incluindo pinturas flamengas, do Museu de Arte Sacra do Funchal. Para tal, foi vedado um espaço junto da parede norte do Museu, e utilizada maquinaria específica para elevar e baixar homens e material, dado que certos quadros da instituição que preserva o património artístico da Diocese são de grande dimensão e não podem passar pelas escadas interiores saindo simplesmente pela porta… Tudo isto obriga a uma complexa logística para o adequado acondicionamento e transporte destas obras de arte de grande valor.

A operação, que foi acompanhada com curiosidade por locais e visitantes estrangeiros, foi lenta, difícil e aparentemente algo penosa. E registaram-se alguns pormenores curiosos dignos de nota. Como por exemplo o facto de, numa altura em que se realiza uma operação destas, envolvendo quadros de grande valor, o director do Museu de Arte Sacra se encontrar ausente da Madeira, em gozo de descanso. Outros responsáveis ficaram incumbidos de supervisionar a operação…

Entretanto, também se demonstrou curioso que a área onde decorreria a operação não tenha sido vedada antes do estacionamento de motos no local. E assim, a zona ficou vedada e vigiada por um polícia depois de múltiplas motos e motorizadas estarem já estacionadas junto ao Museu nos locais que lhes são legalmente destinados, processando-se a descida das obras de arte praticamente por cima delas… Algo estranho em termos de segurança, quer para o Museu, responsável pelas obras, quer para os proprietários dos veículos de duas rodas, que se arriscavam a apanhar em cima deles com qualquer coisa que caísse… mas obviamente estamos a especular.

Outro aspecto curioso e digno de nota também foi o facto de um responsável da empresa encarregue do transporte ter vindo incomodar o repórter fotográfico do FN, informando-o de que “era proibido fotografar”, revelando, mais uma vez e como tantas e tantas pessoas, incluindo por vezes autoridades e entidades responsáveis, o mais completo desconhecimento dos direitos que a Constituição e a Lei de Imprensa confere aos jornalistas no que concerne à captação de imagens em espaço público… Mais um fait-divers, mas nem por isso menos estulto, face a uma operação de movimentação de obras de arte para rumarem ao continente, que até foi o Funchal Notícias que noticiou em primeira mão em Março deste ano.

Recorde-se que o Governo Regional da Madeira e as entidades responsáveis pelo Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) e pelo Ministério da Cultura apresentaram oficialmente em Junho deste ano, no Salão Nobre do Governo Regional à Avenida Zarco, esta grande exposição que a Madeira apresentará no supracitado Museu em Lisboa, na Rua das Janelas Verdes. A mostra estará patente de 15 de Novembro do corrente ano a Março de 2018.

A área só foi vedada tarde… Durante muito tempo a grua permaneceu, inoperante, no local.

Segundo declarou então o secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, a mostra, designada  “As Ilhas do Ouro Branco – Arquipélago da Madeira – Do Século XV ao Século XVI”, deverá apresentar um conjunto de importantes peças que integram o acervo dos museus da Região e da Diocese. afirmando-se como uma embaixada cultural madeirense na capital, apresentando um extenso conjunto patrimonial datado dos séculos XV e XVI, representando várias oficinas artísticas de renome daquelas épocas e reflectindo a importância que o comércio do açúcar teve na economia e na cultural de Portugal no Atlântico, sobressaindo no Funchal, a primeira cidade da Expansão Portuguesa.