Mãe desesperada faz apelo desde o hospital do Funchal sobre atraso na chegada de medicamento para filha

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Mãe, desesperada, lança apelo desde o Hospital Dr. Nélio Mendonça, sobre atraso na chegada de medicamento para tratamento oncológico da filha.

Uma mãe desesperada lançou hoje um apelo na sua página da rede social facebook sobre a chegada tardia de um medicamento a aplicar à sua filha, que se submete a tratamento de quimioterapia no Hospital Dr. Nélio Mendonça. A criança viu o tratamento adiado, porque o medicamento não tinha chegado e, já hoje, encontra-se a aguardar, diz a mãe, procedimentos burocráticos que fazem com que, segundo informação da farmácia à família, o medicamento ainda esteja no aeroporto.

Sofia Aguiar desabafa não ser esta a primeira vez que a situação ocorre e diz que a partir do momento em que regressou de Lisboa, do IPO (Instituto Português de Oncologia), com a sua filha, “a farmácia do hospital tem automaticamente a informação de que tanto a minha filha como outra menina que faz o mesmo tratamento, iriam precisar de 15 doses desta quimioterapia, ou seja, não há razão nenhuma para falhar”

No relato que faz na rede social, refere que “os tratamentos são todas as terças feiras, sendo que, todas as quintas feiras anteriores a informação é passada para os serviços responsáveis de que a quimioterapia será precisa para a terça feira seguinte, mais uma razão para não falhar, pois tudo é tratado atempadamente por parte da médica responsável e dos enfermeiros do serviço do hospital de dia da pediatria. Na segunda feira recebi um telefonema da médica a informar que a medicação não tinha chegado ainda de Lisboa, pelo que não seria possível fazer o tratamento na terça feira (ontem), e que ficaria então para hoje, tudo bem (ou tudo mal porque a medicação deveria estar cá desde Maio…). Hoje, estamos no hospital desde as 9h da manhã, rotina normal, análises primeiro, tratamento depois. Ao 12h a médica recebe um telefonema da farmácia do hospital, a informar que afinal a medicação ainda está no aeroporto… (??!!) As crianças estão com o soro a correr no cateter, à espera da quimioterapia. É absolutamente vergonhoso que os serviços farmacêuticos prestem este tipo de (des)atenção aos tratamentos das crianças com cancro! Brincam, literalmente com a saúde destas crianças! Além de ser desgastante passar um dia quase inteiro no hospital todas as terças feiras, hoje este dia prolonga-se por mais não sei quantas horas, porque ainda não sabemos a que horas a medicação chegará ao hospital. No meio de tudo isto há toda a burocracia associada! A medicação chegou mas precisa de autorização para sair do aeroporto, vai chegar à farmácia, passa por outros serviços, até chegar ao hospital de dia da pediatria, depois tem que ser preparada, depois administrada. No caso da minha filha, como fez alergia a este químico, tem que fazer uma perfusão lenta, ou seja, o tratamento fica a correr no cateter em duas horas, depois ainda faz a “lavagem” com soro. Se hoje, por acaso a medicação não chegar a tempo, teremos que voltar amanhã ao hospital, o que implica picar novamente o cateter, utilizar mais recursos, mais material, mais despesa para o hospital, quando tudo isto poderia ter sido evitado”.
Face a esta situação, questiona: “Mas alguém se responsabiliza por isto? A farmácia do hospital culpa o sistema! Como??! O sistema?? Mas já sabem desde final de Abril que duas crianças precisam de 15 doses desta medicação! Qual é a justificação pra isto? Alguém me sabe responder?? Se as eleições servirem para alguma coisa, que sirvam pra mudar o sistema!!! Mas as estradas asfaltadas vêem-se, a falta de quimioterapia para os tratamentos das crianças não se vê…”