Crónica de viagens: a Geórgia olha para a Europa como o seu futuro

Palácio do Governo

Rui Marote

As fronteiras entre a Europa e Ásia confundem-se na região do Cáucaso, sendo difícil, todavia, imaginar Tbilisi como uma cidade asiática. A capital georgiana tem todo o aspecto de uma cidade europeia, como acontece com Erevan – Arménia. Cheguei a Tbilisi no avião da companhia aérea do Qatar, após 1h15 de voo, incluindo bagagem de porão (atenção TAP) pelo valor de 137.16 euros, com um serviço de bordo impecável.

Fortaleza Narikala, vendo-se em grande plano a estátua do Rei Vakhtang Gorgasal
Rio Kura e a ponte Merekhi
Praça Meidan
Catedral da Santíssima Trindade

A capital da Geórgia, Tibilisi, é uma verdadeira cidade do século XXI, com clubes nocturnos a piscar o olho ao Ocidente, mas não deixa de manter a atmosfera de uma cidade plantada nas antigas encruzilhadas da Eurásia. Uma encruzilhada que lhe garantiu uma história longa e complicada e lhe deixou um conjunto de influências marcantes e uma herança riquíssima da Turquia, Rússia, Pérsia e Ásia Central. Hoje em dia, a Geórgia olha para a Europa como o seu futuro, e é o que tem a atmosfera mais ocidental dos três países do Cáucaso.

Praça da liberdade que ostenta a estátua de São Jorge, padroeiro do país, matando o dragão
O parlamento, que exibe além da bandeira da Geórgia a bandeira da União Europeia

Igrejas empoleiradas em colinas, torres e castelos a ornamentar o cimo das montanhas, cidades realmente bonitas – como Svaneti e Kazbegi – e outras quase subtropicais, como Batumi, na costa do Mar Negro, constituem, uma oferta diversificada neste país. Acrescente-se a esta magnífica proposta a vontade de bem receber da população georgiana e as directrizes políticas de apetrechar o país com tudo o que os visitantes precisam, e está encontrado um país imperdível para o olhar do visitante. Para explorar a pé, a cavalo ou de carro.

No centro da cidade, cafés e restaurantes em ruas fechadas ao trânsito, a fazer lembrar Bruxelas

Já no hotel, munido da documentação apropriada, comecei elaborar os meus raids e não resisti em sair da capital com a curiosidade em ver a capital original do país.

Vistas da cidade
Ponte pedonal sobre o rio Kura

Mtskheta – Capital espiritual da Geórgia 

Mtskheta é uma visita interessante perto de Tbilisi, que vale a pena fazer. Foi a capital da Geórgia durante oito séculos, do século III A.C. até ao século V d. C., quando a capital foi transferida para Tbilisi. Não fica longe de transportes públicos: demora apenas cerca de meia hora pra chegarmos até lá. A cidade é notável, toda em pedra. Logo à entrada, com um grande e imponente templo, a catedral Svetitskhoveli construída no século XI. Fica lá também a igreha Javri, considerada na Geórgia a mais sagrada. Foi construída no século VI, mas a cruz do lado de fora é-lhe anterior em dois séculos.

Estátua gigante no alto da montanha, intitulada mãe da Geórgia
Fortaleza no alto da montanha
Vistas radicais para quem aprecia o género: sobem de teleférico, e descem assim…
Arquitectura inovadora: o moderno mistura-se com o antigo

Regressei a Tbilisi, uma cidade com dois milhões de habitantes e bem espalhada pela paisagem. Desejava ver tudo o que fosse possível ao redor da cidade velha. Fui então a pé até à catedral Tsminda Sameba, a maior de Tbilisi, passando pelo palácio presidencial. Resolvi fazer uma pausa, pois o estômago já dava horas: já tinha provado dois pratos típicos da Geórgia, o Khachapuri, uma torta de queijo com um ovo cozido em cima, e tabletes de manteiga. Hoje provei mais um prato típico, o Khikhali, uma espécie de ravioli gigante, que pode ter como recheio tudo o que houver na cozinha. Pode ser frito ou cozido.

Catedral ortodoxa Svetitskhoveli, na antiga capital Mtskheta
Metro de Tbilisi

Os georgianos são um povo hospitaleiro, sendo por consequência o país um lugar fácil de se viajar, mesmo considerando aquele alfabeto incomprensível. Este é um povo orgulhoso, até porque recentemente enfrentou a poderosa e invencível Rússia. O país foi o primeiro a desvincular-se da antiga União Soviética, ainda antes do colapso da mesma. Mais recentemente, a Rússia voltou a ser enfrentada na guerra russo-georgiana, que resultou na independência da Abecásia e da Ossétia do Sul, apoiadas pelo grande país, embora, para os georgianos, essas sejam na verdade áreas do seu território nacional, ocupadas pelos russos.

Aos sábados há muitos casamentos na capital
A religiosidade está bem presente
Fortaleza de Rabati

De barriga cheia, continuamos a papar mais uns quilómetro: estamos agora na parte mais baixa da cidade velha. Esta toda reformada, cheia de restaurantes, novos cafés, bares, lojinhas, com muitos aspectos bastante turísticos. Há várias críticas contra esta mudança, considerando várias pessoas que a mesma expulsou os moradores do local. Parece-me, no entanto, mais uma evolução natural, se é que a cidade pretende atrair mais turistas. A parte mais alta está quase original, sem as lojinhas, os restaurantes apenas, e alguns hostels.

No sábado, é dia de casamentos por toda a cidade, há um desfile de carros enfeitados e um nunca acabar de limusinas, a buzinar e invariavelmente com alguns malucos sentados na janela, com metade do corpo fora dos carros. Os festejos dos casamentos são mais que muitos.

 

Pinturas murais em Vardiza

Continuando a nossa longa caminhada pelo centro histórico, passei pela ponte Metekhi e cheguei à igreja com o mesmo nome, que fica situada num penhasco. Um lugar belíssimo. s

Este é o meu último dia na Geórgia. A próxima paragem é na Ucrânia, na capital, Kiev, que bem conheço e da qual há dois anos atrás o Funchal Noticias fez eco. Vou retemperar forças e regressar à ilha.

Cidade rupestre de Vardiza e um mosteiro de cavernas nas rochas do monte Erusheli, fundado pela rainha Tâmara em 1185