Crónica de viagens: Almaty, o “lugar das maçãs” no Cáucaso

A praça da independência

Rui Marote

Estou em Almaty: cheguei de comboio, o que foi uma experiência agradável. A minha entrada na cidade deu-se com uma certa preocupação, pelo motivo de ter lido que era considerada uma cidade perigosa. Bem, eu ainda aqui estou, sem problema nenhum. Mas em certos sites fala-se em raptos de turistas…!

Almaty é a maior cidade do Cazaquistão, com uma população estimada em cerca de 1.185.900 habitantes (2004), ou seja, 8% da população do país.

Foi conhecida como Verny entre os anos de 1867 e 1921, e Alma-Ata de 1921 a 1994, significando o actual nome de Almaty , decorrente de Alma-Ata, “lugar das maçãs”. Em 1929 tornou-se capital da república soviética do Cazaquistão e, em 1991, manteve-se como capital do Cazaquistão independente. Em 1998, a capital foi transferida para Astana, uma cidade construída de raiz, projectada por um arquitecto, como Brasília, mas isso não retirou a Almaty o facto de ser o maior e mais importante centro urbano do país.

O monumento homenageia a primeira mulher combatente a receber a medalha de Heroína da União Soviética; a outra é uma mulher falecida em combate

 

A região foi fundada por cossacos, esse povo guerreiro das estepes, da região de Omsk, como um forte denominado Zailiysky em 1854, no sopé das montanhas de Tian Shan. Seria renomeada um ano mais tarde, como Verny. Um tremor de terra, ocorrido em 1911, deixou quase toda a cidade em ruínas: o único edifício alto que não ruiu foi a catedral russo-ortodoxa.

Pormenor do obelisco na praça da Independência

Na década de 1920, depois de terminada a construção da linha ferroviária entre o Turquistão e a Sibéria, Alma-Ata, como a cidade era conhecida na altura, tornou-se o mais importante ponto intermediário do trajecto do caminho de ferro.

A oração dos crentes muçulmanos

Munido da documentação turística, desta cidade, assinalei os pontos a visitar durante os três dias que aqui permanecerei. Não será fácil, pois temos de dar muito ao conta-quilómetros das pernas. Não há tempo a perder. É sempre a abrir…!

A catedral Zenkov, que está a ser restaurada

O que visitar em Almaty: catedral Zenkov

A catedral Zenkov tem uma construção muito interessante, porque é um edifício todo construído em madeira. Não foi utilizado um único prego em metal. Todos são em madeira. Esta catedral não possui grandes dimensões, mas é viva e colorida, e localizada bem na zona central do parque Panfilov, no coração da cidade.

O interior da catedral

A construção data do ano de 1904. Existe um bonito jardim à volta. Este é um dos únicos edifícios que restam da época dos czares, pois o resto foi destruído. O Parque Panfilov fica localizado a seis quarteirões do Parque Gorky (não, não é o de Moscovo!) depois do Museu Militar e do Memorial da Guerra.

Catedral de São Nicolau

Catedral Nikolsky Sobor

A catedral de São Nicolau é um lugar especial, embora pequeno. Trata-se de um autêntico refúgio no centro da cidade, todo rodeado de árvores. Este é um sítio onde os habitantes de Almaty buscam paz e sossego. A igreja encontra-se dentro de uma área que inclui, entre outras coisas, um pequeno complexo religioso.

A cor da igreja é forte e sobressai na calma do arvoredo. O templo foi construído em 1909, e teve uma vida atribulada, sendo até usado como estábulo pelos bolcheviques, a determinada altura. Pode-se visitar a parte superior da igreja, havendo do lado esquerdo uma capela subterrânea com um ambiente mais recolhido.

Museu militar de Almaty

O Museu Militar de Almaty é suposto ser um dos melhores e mais interessantes destinos culturais a visitar enquanto se está na cidade. Aqui pode-se apreciar a história e actos heróicos do Cazaquistão, durante diversas guerras e também durante o período soviético. É um lugar com interesse para os apreciadores de história e de outras culturas, que têm assim a oportunidade de conhecer um bocadinho da história do Cazaquistão.

Museu militar

Este museu encontra-se num largo bastante elegante, que de um lado apresenta o memorial aos heróis de Panfilov com a chama eterna, e do lado esquerdo o estranho e exótico edifício da embaixada do Japão. Seguindo de Kaldaykov do lado oriental e do lado oeste, encontramos o Parque Panfilov depois do Memorial da Guerra.

Mesquita central de Almaty

Esta mesquita de abóbada azul-turquesa estabelece grande contraste com os edifícios do tipo soviético, autênticos caixotes cinzentos usuais nesta zona de Almaty. Esta é a maior mesquita do Cazaquistão, e é na verdade a mais nova mesquita na cidade. Lembro que muita da população cazaque é muçulmana.

A mesquita

Esta mesquita em arquitectura da Ásia Central, apresenta cinco minaretes, todos com abóbadas azuis. Lá dentro o visitante encontra uma bela decoração, que inclui muito trabalho talhado em pedra.

A Mesquita Central de Almaty fica situada entre a estação de autocarros de Sayakhat-Almaty e o Bazar Verde (Bazaar de Zelyony).

Memoriais de guerra no Parque Panfilov

Estes monumentos ficam situados à direita do Parque Panfilov depois da Catedral de Zenkov. O nome do parque vem precisamente dos heróis de Panfilov. Um dos monumentos assinala os actos heróicos de vinte e oito soldados de Almaty que morreram em 1941 quando lutavam contra tanques nazis numa povoação perto de Moscovo. O monumento é de grandes dimensões e apresenta esculturas e murais alusivos.
Outro monumento neste local é a Chama Eterna, que comemora o final da guerra civil de 1927 a 1920 e o fim da II Grande Guerra Mundial.

Militar com a bandeira do Cazaquistão que presta homenagem aos que morreram pela pátria

Para chegar ao Parque Panfilov, vindos da parte oriental da cidade, o jardim é precisamente a seis quarteirões do Gorky Park, mesmo à frente do Museu Militar de Almaty. Vindos de Ocidente, vindo de Ayteke Bi, fica logo depois da Catedral.

Fachada principal do palácio da República, hoje improvisado com uma estrutura para um concerto de música clássica

Palácio da República

Este palácio fica situado ao lado do hotel Kazakhstan, uma unidade hoteleira conhecida, dos cinemas Kimep e do Museu de Geologia. Tem uma arquitectura do tipo monumental e interessante em aspecto, ficando virado para um bem tratado jardim que apresenta uma estátua do escritor Abay Kunabaev.

Rua Zhiber Zholy

Zhibek Zholy é uma zona destinada ao tráfego pedonal, recheada de lojas, cafés, vendedores de rua, pintores e músicos. Esta rua é mesmo só para peões e está assim proibida a circulação de carros. As pessoas vem para aqui passear, ver outras pessoas, ser visto, enfim, andar e divertir-se.
No lado Este da rua está o grande centro comercial Silk Way City, o antigo edifício, pois o novo Silk Way City está situado na Tole Bi com a Zelthoksan. Ao longo da rua e andando para Oeste, temos a Telekom Kazakhstan e o grande armazém Tsum.

Antigo parlamento

Antiga casa do Parlamento

A antiga casa do Parlamento apresenta agora os escritórios do governo local. Recordo que Almaty era a capital do país e por isso todos os grandes antigo edifícios governamentais estão cá. A arquitectura é do género neo-clássico, estabelecendo um grande contraste com o jardim à volta. Fica na Tole Bi com Panfilov, se caminharmos pela Tole Bi depois do Silk Way City Nov.

Carros Volga

Os Volga são uns grandes carros quase tipo limusina, uns autênticos “tanques de guerra” russos que se vêm por todo o lado na Ásia Central. Duram e duram, sendo até chamados de o “Mercedes Russo”. Eram carros de estatuto, e no interior do país ainda o são. Eram usados por políticos e oficiais dos Serviços Secretos.

As passadeiras subterrâneas… é melhor usá-las

Passadeiras subterrâneas

Nós, portugueses, não temos muito o costume de atravessar passadeiras aéreas ou passadeiras subterrâneas. Ou passamos sempre a estrada à balda onde bem nos apetece, ou alguém pára na passagem de peões, ou temos o sinal verde para peões, bem, lá nos safamos como pedestres. O que se passa em Almaty é que os carros não param nas passadeiras, alguns passam com o sinal verde para peões e vão a uma velocidade tal que é difícil atravessar assim à balda sem mais nem menos (pelo menos sem sofrer um grave acidente). Nas grandes avenidas, mais vale fazer como fazem os habitantes: atravessam as passagens subterrâneas e poupam tempo. Como “em Roma sê romano”, resolvemos pôr em prática o adágio “em Almaty… não leves com um carro”.

Estátua do escritor Abay Kunabaev

A minha próxima crónica será de Baku, Azerbeijão, que dista 3h45 de avião. Atenção à TAP: a viagem, com direito a 30 kg de bagagem, foi obtida pelo preço de 192.58 euros incluindo taxas…