Mega-construção da Socicorreia em São Martinho criticada pelos moradores que questionam alta densidade dada pela Câmara

Os primeiros trabalhos da empreitada decorrem a bom ritmo e preocupam os moradores. Fotos DR.

É o fim do bananal e a vitória da construção imparável dos apartamentos de luxo, à moda do século XXI, com um enredo a levantar dúvidas junto da população. Ninguém vive de bananas nem de áreas verdes e o betão avança à velocidade cruzeiro com o evidente descontentamento dos moradores que contactaram o Funchal Notícias para alertar para mais uma construção que terá grande impacto na paisagem urbana.

A mega-construção da empresa Socicorreia em São Martinho, mais precisamente na rua Dr Pita, está a levantar críticas por parte dos moradores da zona que receiam a elevada volumetria de três blocos de apartamentos de luxo num espaço tradicionalmente ocupado por bananeiras e há mesmo quem questione o licenciamento dado pela Câmara Municipal do Funchal com a classificação de densidade alta.

A empreitada está na fase inicial, mas quem reside na zona teme pelo “impacto assustador” do imóvel na paisagem, tendo por base a publicidade nos media que a própria promotora tem feito para a comercialização dos apartamentos. Esta empresa, que se vangloria de  “desafiar a qualidade” e que está a construir em todo o lado, como se tivesse ganho o euromilhões de uma dia a outro, aposta em força, também na Madeira, na chamada construção do século XXI. Depois do Continente, depois dos Açores, depois da Estrada Monumental, depois da Ajuda, a fronteira seguinte é a Rua Dr Pita com ligação ao Caminho da Fé. Mas o enredo desta empreitada, se é legal não parece estar ainda claro para os moradores que prometem acompanhar a par e passo os trabalhos.

Este investimento já foi anunciado pela própria Câmara do Funchal como uma mais-valia para a cidade, uma vez que será criado um novo arruamento público (que também serve os condomínios dos prédios Socicorreia) de ligação entre as ruas Dr Pita e Caminho da Fé. Para a Câmara, facilita a acessibilidade dos cidadãos e é motivo de júbilo e notícia; para os cidadãos fica a dúvida se não terá sido um acordo de cavalheiros entre a Socicorreia e a autarquia para poder construir em grande (com densidade alta), uma vez que dizem não ver mais-valias significativas na construção desta estrada pública.

Média ou alta construção?

Os terrenos da construção pertenciam à família Barbeitos (dos Vinhos Barbeitos) que vendeu os terrenos ao conhecido empresário da Madeira Nova, Jaime Ramos, em 2008. Aparentemente, este revendeu-os à Socicorreia Investimentos Imobiliários, que faz uma parceria nesta empreitada de São Martinho com outros empresários da construção da Madeira. Acontece que, dizem os moradores, nas vésperas do Plano Diretor Municipal ir para discussão pública, esta empreitada foi licenciada pela CMF ainda com o alvará de alta construção, quando neste momento, os imóveis da zona têm a classificação de média construção. Aliás, a quinta da família Barbeito, que fica na zona, conhecida por quinta de São Miguel, está neste momento classificada de média construção, quando a vizinha empreitada tem luz verde para construir em alta.

É o fim do bananal em nome da construção do século XXI, em São Martinho.

Por outro lado, o arruamento que está prometido construir para compensar a parte pública, incide sobre uma zona sempre vista pela população de área verde, embora sem consulta oficial dos documentos camarários. No entanto, junto a esta mesma rua, será construído um dos três edifícios com um grande impacto na paisagem, como o demonstram as imagens comercializadas pela própria Socicorreia na imprensa madeirense.

Os trabalhos de construção avançam à velocidade cruzeiro, como é típico destas construções, e a população considera que seria importante a Câmara Municipal do Funchal explicar os critérios de licenciamento do espaço e acautelar, ainda que tarde, os verdadeiros interesses públicos. A exemplo de outros contactos, a tentativa de o FN para obter, neste momento, esclarecimentos junto da CMF sobre obras particulares esbarra sempre com a falta de resposta do vereador do pelouro, Domingos Rodrigues, aliás de saída da vereação de Paulo Cafôfo.

Os luxuosos apartamentos do século XXI numa das últimas construções da Socicorreia, na Ajuda. Foto in facebook Grupo Socicorreia.

O FN contactou o stand de vendas da Socicorreia, na Avenida do Infante, que explica ao público que os três blocos de apartamentos ainda não estão a ser comercializados, porque trabalham no mapa de vendas e definição e valores. Mas informam que serão construídos três edifícios com apartamentos de luxo, (2 blocos à frente da rua dr Pita e um bloco atrás), cada bloco com 30 apartamentos, nas tipologias T1, T2 e T3, em 3 fases de construção diferentes, sendo que 2 dos blocos têm condomínio privado. Referem ainda o arruamento que será feito, de ligação rua Dr Pita-Caminho da Fé, que servirá o público e o condomínio dos imóveis.

A primeira fase de construção estará concluída em finais de 2018 mas a comercialização arrancará em breve.

Um dos três blocos estará concluído até finais de 2018.